outubro 25, 2005
A EXPANSÃO PORTUGUESA NO SÉC. XVII
Inicia-se amanhã em Tomar - a decorrer até 23 de Março de 2006 - o curso "A Expansão Portuguesa no Século XVII", numa organização do Centro de Estudos de Arte e Arqueologia do Instituto Politécnico de Tomar e pelo Centro de História de Além-Mar (Universidade Nova), coordenado pelos Professores Doutores Maria Madalena Larcher e João Paulo Oliveira e Costa.
Este curso constará de 18 conferências, a realizar às Quintas-feiras, às 18 horas, com o custo de 150 euros (100 euros para estudantes e professores).
A primeira conferência, já amanhã, terá por tema "Portugal e as Províncias Unidas: O Primeiro Confronto à Escala Mundial", com apresentação de Alexandra Pelúcia.
No dia 3 de Novembro será a vez de Carla Alferes Pinto tratar do tema "Frei Aleixo de Meneses e os Recolhimentos da Misericórdia de Goa".
As inscrições encontram-se abertas no Centro de Estudos de Arte e Arqueologia (em Tomar - Dr. Atanásio Gomes) e na Universidade Nova (Lisboa - Dra. Maria do Céu Diogo).
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julho 01, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (X)
“De moagem deveríamos falar também, mostrando o farmacêutico e político regenerador Torres Pinheiro diversificar a sua iniciativa na fábrica Nabantina, que herdara, em labor já em 1883, e concorrido depois por outro capitão da indústria tomarense que foi, partindo do nada e até falecer em 1924, Mendes Godinho, fundador de vasta empresa familiar, criando a fábrica Portugalia em 1912 (que hoje é estudada em termos valiosos de arqueologia industrial), explorando a central eléctrica em 14 e instalando fábricas de alimentos para gado, cerâmicas, extracção de óleos e placas de madeira prensada, e abrindo banca – e também ou já tomando conta de uma fundição que, nos Lagares d’El Rei, Torres Pinheiro fundara e depois outras e actuais mãos conheceu.
Esta a história industriosa da cidade, animada pela energia hidráulica do seu rio, em rápidos e açudes agenciados. Foi ela a terceira do país, fora Lisboa e Porto, e após Elvas e Vila Real, a ter electrificação, em 1901; falou ao telefone em Abril de 1928 ano que também teria caminho-de-ferro inaugurado.
[…]
Entretanto, cerca de 1840, a edilidade tomarense começara a preocupar-se com o estado e a higiene das ruas e, em 53, e de novo em 69, com o Engenheiro Everard (que lhe daria nome) definiu-se o caminho quinhentista da Levada; em 57, tratou-se da ilha do Mouchão e em 83 saneou-se a Várzea Grande e, sobretudo, estabeleceu-se a ligação da estrada de Tomar a Leiria com a de Lisboa a Coimbra – malograda que fora, em fins do século XVIII, a passagem por Tomar da «Estrada Nova» do Norte, que preferiu cortar para Leiria, abandonando à sua sorte o percurso antigo de Santarém a Coimbra; nessa prejudicial decisão se insistiu ainda em meados de Oitocentos.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 22, 23, 25
Publicado por Leonel Vicente às 08:53 AM
junho 30, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (IX)
“Mas Tomar, que não teve prejuízo grave com o terremoto de 1755, recebeu benefício industrial no período pombalino e logo depois, fundindo, em 1771, a antiga fábrica de meias de seda com uma fábrica de chapéus de 59, numa unidade só, e, em 1788, o empreendedor Jácome Ratton aqui implantaria uma fábrica de fiação de algodão por compra da de meias de seda, com elaboração em 94, e associando-se em complicada tramóia a um técnico, francês também, Thimothée Verdier, que deixaria descendência na cidade – embora tenha tido intervenção suspeita durante a primeira invasão francesa, que lhe valeu ser expulso do país, ou «setembrizado».
Ratton já tinha então deixado, há muito, a empresa que, tendo tido ao princípio questões de interesses com a Ordem de Cristo (de que Ratton era cavaleiro), sempre por causa das águas motoras da indústria, em 1816 estava na mão de um italiano, imigrado também, Schiappa Pietra, que teria igualmente descendência nabantina.
[…]
Porque outra indústria se desenvolveria em Tomar, ali se centralizando, e foi a indústria do papel que, no Prado (onde houvera ferrarias antigas, já em 1504) e na Matrena (onde já em 1327 havia moinhos de moer farinha, e em 1595 se dera alvará para fabrico de vidro) tiveram renome, com o mesmo Pietra e seu descendente, por aliança, no sítio, que foi João Casquilho; e ainda em Porto Cavaleiros, em 1876, se produziu papel até aos anos 1920, a certa altura nas mãos de Torres Pinheiro, e mais Marianaia onde houvera lagares da Ordem, numa unidade que o Prado absorveu em 1879 e só fechou em 1971, na crise que sobre esta indústria desabou.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 22
Publicado por Leonel Vicente às 08:52 AM
junho 29, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VIII)
“A vinda do rei espanhol de Portugal foi pacífica em Tomar, mesmo se D. António pretendente, que aqui estivera desterrado pelo cardeal-rei seu tio, durante seis meses de 1579, tivesse podido contar com partidários locais, como o seu fiel conde de Vimioso que do pai herdara a alcaidaria da vila.
Ali se reuniram finalmente as cortes que aclamaram D. Filipe I de Portugal, e ali ele foi solenemente jurado, em grandes festejos e arco triunfal de construção efémera na Praça de D. Manuel, à glória de «Philippo Invitissimo», com o duque de Bragança, seu primo direito pelas esposas de ambos, em condestável do reino perdido e assim «herdado, conquistado e comprado»…
Tendo passado dois meses e meio no Convento, o rei Filipe ofereceu aos frades hospedeiros não só protecção, mas o magnífico aqueduto que veremos, além de fazer terminar, pelo seu arquitecto Terzi, obras importantíssimas no Convento, como veremos também.
E durante esses dias de corte, um certo militar, Miguel de Cervantes, veio a Tomar receber ordens de marcha…
[…]
Já foi sob D. Filipe III que se criou a feira de Sta. Iria na vila – que em 1627 assinalou uma vitória cívica contra os freires de Cristo pela posse de certa parte da Várzea Grande, com um padrão que ali se ergueu e ficou.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 20, 21
Publicado por Leonel Vicente às 08:51 AM
junho 28, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VII)
“Nos paços henriquinos, necessariamente adaptados, viveu D. Manuel, duque de Beja, administrador da Ordem por sucessão de irmão e pai; e também ao rei que foi, depois ficou devendo Tomar um novo e notável progresso. Ele dedicou-se à vila, corrigiu-lhe o curso do rio, deu-lhe casas de Câmara na Praça de S. João Baptista (que seria de D. Manuel), absorvendo as «boticas» da feira e com pelourinho defronte, e um hospital centralizado da Misericórdia, em 1520, na linha de assistência que sua régia irmã criara – e uma nova carta de foral em 1510.
«Ferrarias» no Prado, para fabrico de armamento, já antes de 1504, lagares e moinhos, celeiros e adegas foram ainda mandados construir por D. Manuel – e «d’El Rei» muitas dessas construções foram, por gratidão e hábito, chamadas pelos tomarenses, até aos dias de hoje. E a importante ponte da vila foi igualmente renovada por ele.
Também então o Convento de Cristo recebeu obras que lhe definiram o estilo dito muito mais tarde «manuelino», e logo na célebre janela que o simboliza.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 16, 17
Publicado por Leonel Vicente às 08:45 AM
junho 27, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VI)
“A acção do Infante à frente da Ordem de Cristo foi considerável como todo o poder dos cavaleiros, que aumentou por força de novos estatutos em 1426, e de reformas desejadas, de que foi incumbido em 1434, mas só com aplicação em 1443 e sobretudo 49, D. João Vicente, bispo de Lamego, antigo médico de D. João I. Eram elas conformes aos estatutos da Ordem de Calatrava, modelo que lhe fora, já em 1319, e agora mais imposto.
Grandes obras no castelo-convento foram levadas a cabo, e ali o Infante residiu até se fixar, já em anos 40, no Algarve, na chamada Vila do Infante, desaparecida e de hipotética localização, onde morreria em 1460 (mas em 1451, por exemplo, estava em Tomar), deixando em testamento à Ordem as suas ilhas açoreanas de S. Miguel e de Sta. Maria que, como o restante arquipélago, recebera do rei, e indo as outras para a coroa ou para o sobrinho herdeiro.
Paços de residência no castelo, outros, possíveis, ditos da Ribeira, existentes à Várzea Grande, onde se julga que veio a morrer o Rei D. Duarte em 1438, abrilhantaram a vida da povoação que muitas figuras henriquinas atravessaram.
Ali D. Henrique realizou grandes obras civis, adaptando a ponte, fundando Estaus de novidade urbana, como em Lisboa fizera o irmão D. Pedro, e aqui para uso de visitantes e criadagem dos Mestres e dos cavaleiros, e também de feirantes, já que, em 1420, uma feira foi criada, a seu pedido, em Tomar, por autorização régia e com privilégios então únicos no país (Virgínia Rau, 1960).”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 16
Publicado por Leonel Vicente às 08:50 AM
junho 24, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (V)
“A povoação iria desde então crescendo, apesar da crise do fim do século, passava em breve para fora das muralhas, na «Vila de Baixo», e Gregório IX daria indulgências a quem visitasse Sta. Maria de Tomar, no segundo quartel de Duzentos. S. João Baptista foi então edificado e na segunda metade do século ter-se-á aberto, entre olivais, a Corredoura, ainda hoje a grande rua tomarense.
A vila vinha então, em importância, logo após Santarém e Leiria, a par de Coimbra e Abrantes, à frente de Ourém, Pombal, Torres Novas, Montemor (M. S. A. Conde, 1988).
Sucederam-se vinte e três Mestres na poderosa Ordem que ia somando terras e bens, na região de Soure e Pombal, que fora seu anterior território, na de Castelo Branco e Idanha, até ao Fundão e nesta de Tomar, com limites a sul na Quinta da Cardiga e no Castelo de Almourol – ao todo perto de 3700 quilómetros quadrados de domínio (F. Franco Nogueira, 1991).
Até que o Templo foi levado à extinção e à liquidação por reforma da Ordem no grande movimento internacional determinado por Filipe, o Belo, de França e apoiado pelo papado, a que D. Dinis naturalmente obedeceu – mas ressalvando a sua estrutura em 1319, numa nova Milícia ou Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo que, depois de ocupar Castro Daire e Castelo Branco e com outras indecisões, se sediou finalmente e de novo em Tomar, em 1357, a pedido dos próprios freires que se queriam então menos expostos a encontros com os Mouros – se acreditarmos no que nos diz Frei Bernardo de Brito na Monarquia Lusitana.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 13
Publicado por Leonel Vicente às 08:49 AM
junho 23, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (IV)
“Ruínas que houvesse no alto escolhido, ou perto dele, que deixaram vestígios arqueológicos nas novas construções, elas foram remodeladas com três longas cintas de muralhas atorreadas que havemos de ver.
A construção iniciou-se em 1160, no 1º dia de Março (conforme reza lápide no sítio conservada), no ano seguinte à doação régia que ressalvou importantes direitos espirituais da Ordem, em situação de Nullis Diocesis, isto é, com directa sujeição ao Papa, que seria bispo das suas terras – e foi Adriano IV, e depois Urbano III, Inocêncio III e Honório III, em verificações sucessivas, até 1217.
Foi esse acerto objecto de difícil trato com o bispo de Lisboa, logo em 1159, que exigia ali jurisdição sua, sobre aquela que a Santarém já tinha pertencido e que logo em 1147 Afonso Henriques passara ao Templo. A autoridade lograda (e que só seria eclesiasticamente anulada em 1882) permitiu a Gualdim Pais, com seu talento administrativo, povoar rapidamente as terras que o castelo protegia, com gente vinda do Norte do país novo, dando aos seus habitantes um foral logo em 1162, inspirado no de Coimbra, e completado, doze anos depois, com definições jurídicas de carácter criminal, ao mesmo tempo que fazia edificar a Igreja de Sta. Maria do Olival, ou de Tomar, provavelmente aproveitando ruínas beneditinas; seria ela bailia, casa capitular e panteão dos Mestres templários, na outra margem do rio, em antigo sítio de Sellium que fez dar à igreja também o nome popular de Sta. Maria do Selho, pelos séculos XII e XIII.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 12, 13
Publicado por Leonel Vicente às 08:59 AM
junho 22, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (III)
“Rio e cabeço fronteiro foram certamente razões que determinaram D. Gualdim Pais a escolher o sítio para nele finalmente sediar a Ordem dos Templários, de que era o 4º ou 6º Mestre nacional, conforme a contagem, após ter sido comendador dela em Braga, e de nas suas hostes se ter batido na Palestina, durante cinco ou nove anos (discute-se o prazo) – rico – homem de Entre-Douro-e-Minho, da nobre estirpe dos Ramirões, criado junto do próprio rei, ao que se julga, e por ele armado cavaleiro em Ourique, como se julga também.
A opção de Tomar veio depois de o Mestre ter recebido as ruínas do castelo de Ceras (Castrum Caesaris, se supõe), junto à ribeira deste nome e, depois, do lugar de Alviobeira, a duas léguas para norte-nordeste. Impunha-se fundar ali, ou por ali, um forte castelo que, com outros em vizinhança, na Cardiga ou no ilhéu de Almourol, defendesse o acesso de Coimbra, pelo vale que subia de Santarém: seria ele em Ceras ou em Tomar, considerado seu território, por razões exactas que se ignoram, mas nas quais o rio muito provavelmente terá influído. Outras não deixam, todavia, de ser evocadas, de muito diferente categoria, ligadas à vida lendária do Templo.
E seria assim que o sítio de Tomar se verifica ser ponto de cruzamento de acreditadas forças telúricas, caras aos Templários, e encontra-se na linha que, em relação ao Meridiano de Paris, forma um ângulo de 34º, significativo nos esquemas das construções da Ordem, correspondendo à diagonal da relação 2/3 que se observa na constelação de Gémeos, signo templário por excelência.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 11, 12
Publicado por Leonel Vicente às 08:58 AM
junho 21, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (II)
“Discutido foi também o nome do rio: Nabanus, que deu verosimilmente Nabância, local senão região que, como Namba, parece vir de Nava, nome do território ou pagus por ali definido e documentado, quando da delimitação (divísio) dos bispados de Coimbra, Lisboa e Guarda (aliás, então, Idanha), em famoso documento do século VII, em topónimo pré-romano («talvez etrusco»), aventou-se); ou Tomar, por imaginosa origem árabe, que estaria em «Tamaramá», significando água com gosto de tâmara, doce por consequência.
É ideia, ao que parece, do Pe. Carvalho da Costa em sua Corografia… de 1712, apoiando-se na citação de terras «entre os rios Zêzere, Tomar (que seria, provavelmente, “de Tomar”) e ribeira de Bezelga» e em outros documentos de leitura incerta; e também um «portu(m) de Thomar» surge num documento já de 1159 que tanto pode referir curso de água como local de terra à sua beira.
Mas como local é iniludivelmente designado, quatro anos mais tarde, por D. Gualdim Pais ao dar foro aos povoadores pioneiros de um campo já certamente assim conhecido por ser referido na «Chronica Gothorum» da Portugaliae Monumenta Historica no passo que cita a derrota ali («in Thomar») sofrida pelos cristãos, em 1137. É de sítio de batalha e de povoação que, num caso e noutro, se trata – e não deixará de haver confusão entre o rio, documentado como Nabão pelo menos desde 1254, e a povoação fixada no nome de Thomar (Vieira Guimarães, 1927) – sem esquecer, porém, que, em 1465, um viajante estrangeiro, que Camilo traduziu, achou ser «anónimo» o rio que «regava» a vila, sendo apenas «o rio de Tomar».”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 10
Publicado por Leonel Vicente às 08:56 AM
junho 20, 2005
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (I)
“Nascida cristã de Reconquista junto do rio Nabão e tendo memória de um sítio romano de anterior designação, com passagem e estada de bárbaros, Tomar tem em sua história precedente três situações sabidas da ocupação do território muito disputado da Lusitânia, entre o Mondego e o Tejo.
Certo é que no conventus scalabitanus da jurisdição romana e junto e a meio do troço da estrada entre Olisipo e Bracara, que ligava Scalabis a Conimbriga, existia, mencionado no itinerário de Antonino, do século III, o município de Sellium, com «prova evidente» (J. Alarcão, 1987) de importantes achados arqueológicos (uma das três cabeças de Augusto encontradas em Portugal), além da Igreja de Santa Maria do Olival, junto ao sítio de Marmelais, na margem esquerda do rio. Mais do que villae rusticae, um fórum aponta para local proto-urbano de relevo.
Nabância, fundada primordialmente pelos Túrdulos em 480 a. C. e, seiscentos anos depois, pelos romanos de Trajano, na ideia simplista transmitida por Pinho Leal em 1873, foi, porém, nome que, tirado da designação do rio, perdurou na mitologia local, muito estimada (Vieira Guimarães, 1927), sobrepondo-se ao de Sellium, Sélio já, dos Suevos de c. 570, e mais ou menos usado pelos Visigodos que dominaram aqueles, poucos anos depois – afinal a mesma povoação com dois nomes diferentes, em diferentes e sucessivas épocas, com datas de fundação e denominação de impossível acerto. Tem sido isso tema de longa discussão mais ou menos erudita, que hoje pode considerar-se fixada.”
Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 9
Publicado por Leonel Vicente às 04:00 PM
TOMAR - "THOMAR REVISITED"
“Tomar, fundada com o seu castelo pelos Templários em 1160, foi mais tarde sede da Ordem de Cristo que o Infante D. Henrique e o Rei D. Manuel administraram, urbanizando-a e fundando importantes monumentos, como o célebre Convento – que foi classificado no Património de Interesse Universal pela UNESCO, em 1980. D. João III e Filipe II de Espanha ali realizaram importantes obras. As belezas da paisagem estremenha que rodeia Tomar, animada pelo rio Nabão, que a atravessa, acrescentam ao encanto desta cidade, que, preservando como poucas o seu centro histórico, conhece franco desenvolvimento.”
É desta forma que é introduzida a obra de José-Augusto França, “Tomar - «Thomar Revisited», publicada pela Editorial Presença, integrando a colecção “Cidades e Vilas de Portugal”, que nos proporciona uma viagem pela história e património arquitectónico, artístico e cultural de Tomar.
Nos próximos dias, por aqui apresentarei alguns excertos dessa obra, contando um pouco da história de Tomar.
Publicado por Leonel Vicente às 08:54 AM
março 01, 2005
TOMAR - 845 ANOS
Celebrando a data de início da construção do Castelo Templário por D. Gualdim Pais, a 1 de Março de 1160, Tomar comemora hoje os 845 anos da sua fundação.
No programa comemorativo, destaca-se nomeadamente a abertura da Exposição Urbana "Tomar: Passado e Presente".
Tomar foi elevada à categoria de cidade por alvará de D. Maria II, de 13 de Fevereiro de 1844.
Publicado por Leonel Vicente às 12:05 AM
fevereiro 04, 2005
"DAS BRUMAS DO TEMPO E DO GRAAL"
"Das Brumas do Templo e do Graal..." é um projecto em desenvolvimento visando a publicação de uma revista, dirigida por Pedro Silva, que se pretende ser a difusão dos ideais templários.
Tem já uma página na Internet (www.brumas.org) e um grupo de debate, em http://br.groups.yahoo.com/group/revista-brumas.
Publicado por Leonel Vicente às 08:57 AM
novembro 21, 2004
MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (II)
Depois (apenas até 1976…), com o clube na I Divisão, as visitas do Benfica de Eusébio (que, mais tarde, voltaria a Tomar, para vestir a camisola do União!) e do Sporting de Damas e Yazalde continuaram a ser ocasiões de grandiosa festa que animava a cidade. Ao contrário, quando era o União a ir a Lisboa, faziam-se “grandiosas excursões”.
Logo depois, na segunda metade da década, a cidade entraria num período de recessão de que, em boa verdade, não conseguiu ainda sair, em particular com a crise do sector industrial.
Há poucos dias, o União de Tomar disputou, no Torneio Fernando Matias, o último jogo no relvado do “25 de Abril”, assim se fechando um ciclo; o Estádio vai entrar em obras, para substituição por um relvado sintético!
Prevê-se que o União venha a ter um “Estádio” novo, a construir nas Avessadas.
Mas como estão longe os “dias de glória” da minha infância…
E algumas questões se impõem!
Porque estão os tomarenses de “costas voltadas” para o seu maior “símbolo vivo”, atravessando uma deprimente “agonia”?
Porque tem o clube mais representativo da cidade (e, pelo seu passado e historial, de todo o Distrito) de competir (e, muitas vezes, perder…) com “equipas de aldeia”?
Sem “entrar em loucuras” – e sem esquecer que há outras instituições, não só desportivas, mas também, e principalmente, de índole cultural, que vivem também com dificuldades –, porque “não há vontade” de repor o clube no lugar “a que tem direito” (pelo menos, a II Divisão B)?
A resposta aos tomarenses, em especial às “forças vivas” da cidade: Câmara e Empresas.
(texto editado originalmente no Thomar).
Publicado por Leonel Vicente às 09:32 AM
novembro 20, 2004
MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (I)
Hoje é dia de memórias nostálgicas...
Em meados da década de 70, estava eu ainda na minha “primeira infância”, recordo com saudade os tempos de brincadeiras, no açude da fábrica, as deslocações ao Agroal (de que retenho a imagem da “água gelada” da nascente – a praia, igualmente “gélida”, era a da Nazaré…), a minha pequena casa térrea na Rua da Fábrica, os automóveis que ainda mal começavam a “massificar-se” (lembro particularmente uma “relíquia”, um automóvel preto, estilo clássico, quiçá ainda dos anos 50 – sempre estacionado próximo da casa do João dos Santos, o “famoso João das Latas”, na sua imponência majestosa de “obra-prima” de outra época, não muito longe do estabelecimento do também popular tio “Zé das Bananas”).
O meu “solene” exame da primeira classe, realizado em época excepcional em Fevereiro, após 4 meses a aprender a “desenhar igrejas” (não sei porque não conservo memória dos desenhos que acompanhavam as letras a, e, o e u…) – aprendera já a ler e a escrever, pelos meus 5 anos, bastante antes do “primeiro dia de escola”...
Depois, os primeiros (“grandes”) prédios (talvez 3 ou 4 andares) que começaram a ser construídos frente à minha casa, com janelas com vista para o Estádio.
Recordo a animação das tardes de Domingo, com milhares de pessoas a caminho do “campo da bola”.
Em particular aquele dia em que, era eu ainda “mesmo muito pequeno” – é uma reflexão interessante pensar como evoluíram as coisas e como são “super-protegidas” as crianças de hoje – deixei o meu pai a regar na horta e me dirigi sozinho para o campo (que não ficava longe…). Lá dentro, o U. Tomar fazia o seu melhor resultado de sempre na I Divisão, marcava golos atrás de golos, frente ao Beira-Mar (até chegar aos 8-1!). Um verdadeiro “delírio”!
(texto editado originalmente no Thomar)
Publicado por Leonel Vicente às 08:25 AM
novembro 02, 2004
"BRUMAS DO TEMPLO"
Será lançada em breve (prevista para Março de 2005) uma nova revista, única em língua portuguesa, dedicada aos Cavaleiros Templários, chamada "Das Brumas do Templo…", com Direcção de Pedro Silva (que teve a gentileza de me informar deste lançamento e dos objectivos e filosofia da publicação), editada no Brasil e distribuída, por agora, para o continente americano e europeu.
A temática da publicação não se centrará exclusivamente nos Templários, abordando outras vertentes, como História do Brasil e Portugal, Descobrimentos, Filosofia e Pensamento Filosófico, História
Medieval e Ordens de Cavalaria.
Não se trata de uma publicação puramente académica, antes uma revista que procurará ir ao encontro do leitor, dando-lhe voz e espaço para interagir com um bom lote de cronistas. Será um espaço aberto a todas as tendências e pronto para falar sobre temas polémicos, não evitando a divulgação de tudo o que seja importante.
A revista será uma publicação bimestral (ou seja, seis números anuais), sendo o custo previsto para assinantes de 24 Reais para o Brasil e de 12 Euros para Portugal.
Trata-se de um projecto editorial ambicioso, a que desejo os votos de maior sucesso.
(Contactos para mais informações, a estabelecer com pedrosilva77@aeiou.pt)
Publicado por Leonel Vicente às 08:10 AM
outubro 21, 2004
A ORDEM DO TEMPLO E AS ORDENS MILITARES
Decorre hoje no Convento de Cristo, pelas 18 horas, a conferência "A Ordem do Templo no contexto das Ordens Militares da Idade Média", pelo Professor Doutor Gouveia Monteiro.
Esta conferência integra-se no II Ciclo de Conferências do Convento de Cristo.
Publicado por Leonel Vicente às 08:35 AM
abril 09, 2004
OS TEMPLÁRIOS E O CASTELO DE TOMAR (III)
Os Templários permaneceriam ao serviço da Coroa, contra os muçulmanos, durante os séculos XII e XIII.
Até que, em 1312 – na sequência das perseguições do Rei Francês Filipe “O Belo” (iniciadas em Outubro de 1307), que, visando o seu poder político e financeiro, acusava os Templários de diversos crimes e heresias – o Papa Clemente V decretaria a extinção da Ordem (prevendo que deveriam ser os Hospitalários a receber os bens da Ordem extinta), tendo sido o Grão-Mestre, Jacques de Molay condenado à fogueira em 18 de Março de 1314 (juntamente com outros 35 cavaleiros Templários).
Contudo, D. Dinis acautelaria a posse dos bens dos Templários; depois de, em 1310, ter atingindo a declaração de inocência dos Templários da Península Ibérica, conseguiria obter, em 1321, por bula Papal, a criação de uma nova Ordem Militar, a Ordem de Cristo, inicialmente com Sede em Castro Marim.
Mas, logo cerca de 1338, seria novamente transferida para Tomar.
Mais tarde, o próprio Infante D. Henrique (nascido em 1394, filho do Rei D. João I), na qualidade de Governador da Ordem de Cristo, teria residência no Castelo de Tomar.
O Castelo de Tomar é, actualmente, Património da Humanidade, declarado pela Assembleia Geral da UNESCO em 30 de Junho de 1983.
Publicado por Leonel Vicente às 08:47 AM
abril 08, 2004
OS TEMPLÁRIOS E O CASTELO DE TOMAR (II)
Em 1144, uma ofensiva muçulmana destroçou o Castelo de Soure; os Templários que haviam conseguido escapar, juntaram-se, em 1147, às tropas de D. Afonso Henriques, na conquista de Santarém; como recompensa, foi-lhes atribuída autoridade eclesiástica sobre as terras libertadas dos Mouros.
Tal viria contudo a ser contestado, levando a que, em 1159, a recompensa se concretizasse efectivamente com a doação à Ordem do Templo, na pessoa do seu Mestre, Gualdim Pais, do Castelo de Cera (actual Ceras).
Ao fim de um ano no Castelo de Cera – que se encontrava em mau estado de conservação –, Gualdim Pais decidiu-se pela construção de um novo Castelo, num local mais adequado, tendo escolhido para tal efeito uma elevação na margem direita do Rio Nabão, em Tomar, a qual teria início em 1 de Março de 1160.
Na mesma época, seria construída a famosa Charola, posteriormente adaptada a Capela-Mor de um Templo mais vasto.
Gualdim Pais concederia o primeiro foral ao termo de Tomar em 1162.
Em 1165, os Templários receberiam ainda os terrenos de Idanha e Monsanto, sendo-lhes atribuído, em 1169, 1/3 das terras que conquistassem a Sul do Tejo.
Em 1170, a linha defensiva do Tejo era reforçada com a construção do Castelo de Almourol.
O ataque Mouro de 1190, atravessando a linha do Tejo, transpôs Santarém, chegando até Tomar, que, sob intenso ataque, resistiria, defendido heroicamente durante seis dias pelos Templários.
Publicado por Leonel Vicente às 08:03 AM
abril 07, 2004
OS TEMPLÁRIOS E O CASTELO DE TOMAR (I)

Na época das Cruzadas, duas abrangentes Ordens Militares - de carácter internacional -, haviam sido criadas, visando a defesa dos interesses e protecção dos peregrinos Cristãos na Terra Santa: os Templários (decorrendo o seu nome do facto de ocuparem parte do Templo de Salomão) e os Hospitalários.
Os Templários, enquanto ordem de cavalaria militar, foram fundados em Jerusalém em 1118 pelos cavaleiros franceses Hugo de Payens e Geoffroy de Saint-Omer, adoptando como divisa “Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam” (Nada para nós, Senhor, nada para nós, senão para glória do Teu nome).
Em 1127, um dos cavaleiros visitou a Península Ibérica com o objectivo de recrutar membros e obter apoios financeiros.
A Regente, D. Teresa, faria doação à Ordem de Fonte Arcada, a que juntaria, em 1128, o Castelo de Soure e suas terras, em troca da colaboração dos Templários na conquista de território aos Mouros.
A missão da Ordem na Península seria definida em 1143.
Em 1145, sendo Mestre do Templo em Portugal, Hugo Martins, o cunhado de D. Afonso Henriques (Fernão Mendes) doaria à Ordem o Castelo de Langrovia.
Publicado por Leonel Vicente às 08:40 AM
março 05, 2004
HISTÓRIA (II)

D. Manuel daria à vila de Tomar um novo foral em 1510. No seu reinado, seria criada a Fábrica de Vidro da Matrena, assim como as Ferrarias de S. Lourenço e do Prado, que perdurariam até ao Séc. XVIII.
Teria um período áureo na época dos Descobrimentos, com a construção da traça da vila, das obras do Convento, Sinagoga (com uma importante comunidade judaica), reconstrução da Igreja de S. João Baptista, Capela da Nossa Senhora da Conceição e da Ermida de São Gregório.
Aquando do domínio espanhol, as Cortes de Tomar aclamaram Filipe II como Rei de Portugal, tendo sido, nessa época, construído o Aqueduto dos Pegões.
Tomar seria elevada à condição de cidade em 1844, por D. Maria II. No decurso do Séc. XIX, registou importante desenvolvimento industrial, com unidades produtoras de seda, papel e ferro, ao mesmo tempo que se instalavam fábricas de fiação de tecidos.
Nos anos mais recentes, foi o Turismo a desenvolver-se. É habitada por cerca de 20 000 pessoas, sendo atravessada pelo Rio Nabão. O concelho, constituído por 16 freguesias, abrange um total de cerca de 50 000 habitantes.
Os seus monumentos abrangem desde o Românico-Bizantino ao Barroco, passando pelo Gótico, até ao Manuelino. Nas suas tradições, destaca-se também a Festa dos Tabuleiros.
Publicado por Leonel Vicente às 08:25 AM
março 04, 2004
HISTÓRIA (I)
A região de Tomar é habitada há mais de 30 mil anos, apresentando diversos vestígios pré-históricos, datados desde o Paleolítico, decorrendo das suas boas condições de fertilidade.
Em épocas mais recentes, a região conheceu as povoações de Nabância (nome atribuído pelos Lusitanos, em honra do deus das águas, Nava), fundada pelos Túrdulos em 480 a.C. e, 600 anos depois, pelos Romanos; e Sellium, fundada no Séc. I pelo Imperador Augusto, na margem esquerda do Rio Nabão, época em que o povo se dedicava à agricultura e à exploração mineira.
Seguiram-se as invasões dos povos Bárbaros e Visigodos e, cerca de 712, dos Mouros.
Tomar foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques em 1147, vindo a ser doada aos Templários em 1159.
O Mestre da Ordem dos Templários, Gualdim Pais, fundou a vila de Tomar em 1 de Março de 1160, com a construção do Castelo de Tomar (com base na antiga povoação luso-romana), dando à povoação carta de foral em 1162.
Após a extinção da Ordem do Templo, em 1314, D. Dinis conseguiu obter bula do Papa João XXII para fundar, em 1319, a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo (“Ordem de Cristo”), cuja sede se fixaria em Tomar em 1356, vindo a ser dirigida pelo Infante D. Henrique, então residente na vila.
Publicado por Leonel Vicente às 08:35 AM
Blogue sobre Tomar, mantido por Leonel Vicente - online desde 01.03.2004