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julho 31, 2005

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (IX)

Crónica publicada em "A BOLA", em 5 de Abril de 1971

"UNIÃO DE TOMAR, 1- TORRES NOVAS, 0
AS DUAS EQUIPAS LUTARAM ABNEGADAMENTE

Estádio Municipal de Tomar.

Árbitro: Carlos Dinis, de Lisboa.

U. TOMAR - Nascimento; Fernandes, Faustino, João Carlos e Barnabé; Manuel José e Cardoso; Pavão, Tito, Fernando (Raul) e Totoi (Alberto).

TORRES NOVAS - Casimiro; Tuna, Simões, Carlos e Bruno; Madeira, Zeca, Sá Pinto e Maia; Garrido (Real) e Serranito.

Ao intervalo, 0-0. Marcadores: Cardoso, aos 66 minutos.

Frente a frente duas equipas vizinhas, mas que, há longos anos, mantêm acesa rivalidade. As classificações de ambas apresentavam-se completamente antagónicas. Uma, a de Tomar, praticamente definida no terceiro lugar, outra, a de Torres Novas, situada a dois pontos do último classificado da Zona e com a permanência na prova bastante ameaçada.

Uma vitória do Torres Novas neste jogo equivaleria, praticamente, à certeza de continuar na II Divisão. A derrota não decidia a descida, mas deixava tudo na mesma. Foram duas equipas dignas uma da outra, lutaram abnegadamente pela vitória.

Convém esclarecer que, para Tomar, é de toda a vantagem que o Torres Novas se mantenha na II Divisão. Mas, dentro do campo, tudo se esqueceu e apenas as cores das camisolas estiveram em jogo.

Sobre este, pouco há a dizer, já que as circunstâncias a isso obrigavam. O União de Tomar, sempre ao ataque, e o Torres Novas sempre à defesa.

A primeira parte foi superior tecnicamente, pois o Torres Novas, jogando sistematicamente em «4x4x2», soube impedir, não importa que algumas vezes com felicidade, caso de um remate de Cardoso à trave, aos 12 minutos e um golo, talvez mal anulado a Totoi, aos 32 minutos, que as suas redes fossem violadas.

O União de Tomar respondeu com um «2x4x4» e só não teve o êxito que o seu domínio territorial justificava, porque jogou quase sempre pelo centro do terreno, em vez de jogar pelos flancos.

No segundo tempo, muito especialmente depois do golo obtido, o União mandou mais no terreno. Os seus elementos, mais descontraídos e a jogarem de harmonia com a sua craveira técnica, fizeram alguns lances de bom recorte.

Esperaríamos uma reacção de ordem táctica dos torrejanos, mas nada disso vimos. Houve realmente uma ligeira reacção, mas própria da vontade dos jogadores. A equipa acabou tal como começou.

Numa partida desta natureza é sempre difícil distinguir jogadores, mas Cardoso, no União de Tomar, e Madeira, no Torres Novas, foram sem dúvida elementos influentes na manobra das equipas. Dos restantes, Faustino e João Carlos e Simões e Bruno foram também valores firmes.

A arbitragem não foi perfeita."

NELSON COSTA

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julho 30, 2005

"O TEMPLÁRIO" (28.07.05) / "CIDADE DE TOMAR" (29.07.05)

O Templário-28-07-05 CidadeTomar-29-07-05

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julho 29, 2005

CAMPEÕES DISTRITAIS FUTEBOL (V) - 1964/65 - 1973/74

1964/1965 - União de Tomar
1965/1966 - Tramagal
1966/1967 - Tramagal
1967/1968 - Ferroviários
1968/1969 - Alcanenense
1969/1970 - Alferrarede
1970/1971 - Amiense
1971/1972 - Cartaxo
1972/1973 - Alferrarede
1973/1974 - Alcanenense

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julho 28, 2005

CAMPEÕES DISTRITAIS FUTEBOL (IV) - 1954/55 - 1963/64

1954/1955 - Torres Novas
1955/1956 - Torres Novas
1956/1957 - Torres Novas
1957/1958 - Torres Novas
1958/1959 - Torres Novas
1959/1960 - Tramagal
1960/1961 - Tramagal
1961/1962 - Tramagal
1962/1963 - Tramagal
1963/1964 - Tramagal

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julho 27, 2005

CAMPEÕES DISTRITAIS FUTEBOL (III) - 1944/45 - 1953/54

1944/1945 - Sport G. União Operária
1945/1946 - Sport G. União Operária
1946/1947 - Ferroviários
1947/1948 - União Desp. Rossiense
1948/1949 - União Desp. Rossiense
1949/1950 - Torres Novas
1950/1951 - Ferroviários
1951/1952 - Ferroviários
1952/1953 - “Os Leões” de Santarém
1953/1954 - Torres Novas

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julho 26, 2005

CAMPEÕES DISTRITAIS FUTEBOL (II) - 1934/35 - 1943/44

1934/1935 - Sport G. União Operária
1935/1936 - Académica Santarém
1936/1937 - Académica Santarém
1937/1938 - Grupo Desp. da Matrena
1938/1939 - Académica Santarém
1939/1940 - Académica Santarém
1940/1941 - Académica Santarém
1941/1942 - União de Tomar
1942/1943 - União de Tomar
1943/1944 - Académica Santarém

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TEMPLÁRIOS - NOVOS LIVROS DE PEDRO SILVA

O autor tomarense Pedro Silva apresenta-nos as suas duas novas obras literárias:

«Ambos são livros de investigação histórica, procurando dar respostas a imensas questões que a todos intrigam. Para além disso, as obras abordam temáticas paralelas aos Templários (Santo Graal, Lusitanos, Megalitismo, História de Portugal, etc).

As obras são:

1º) "Os Templários e o Brasil" (Flâmula Editora)
Contacto de venda: gchacon2003@yahoo.com.br

2º) "Templários em Portugal: a verdadeira história" (Ícone Editora)
Contacto de venda: iconevendas@yahoo.com.br

Apresentando-me, sou um escritor português com as seguintes obras publicadas, a saber:

- "Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã" (Ulmeiro, Portugal, 2000)
- "História e Mistérios dos Templários" 2ª Edição Esgotada (Ediouro, Brasil, 2001)
- "Escritos Errantes (histórias leves como o vento mas tocantes como a tempestade)" Esgotado (Senso, Portugal, 2002)
- "Ku Klux Klan: Pesadelo Branco" (Magno, Portugal, 2003)
- "Tripla Imparável I: Juventude em Acção" (Magno, Portugal, 2005)
- "Os Templários e o Brasil" (Flâmula, Brasil, 2005)
- "Templários em Portugal (a verdadeira história)" (Ícone, Brasil, 2005)»

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julho 25, 2005

CAMPEÕES DISTRITAIS FUTEBOL (I) - 1924/25 - 1933/34

1924/1925 - “Os Leões” de Santarém
1925/1926 - “Os Leões” de Santarém
1926/1927 - “Os Leões” de Santarém
1927/1928 - Sport G. União Operária
1928/1929 - Torres Novas
1929/1930 - “Os Leões” de Santarém
1930/1931 - Sport G. União Operária
1931/1932 - Sport G. União Operária
1932/1933 - Sport G. União Operária
1933/1934 - Sport G. União Operária

Publicado por Leonel Vicente às 06:24 PM | Comentários (0) | TrackBack

"CAFÉ CENTRAL" EM TOMAR

É apresentada hoje, no Modelo de Tomar, pelas 21h30, a peça de teatro "Café Central", com as presenças de João Baião, Cristina Oliveira, Mário José e Sónia Antão.

Trata-se de uma sessão com entrada gratuita, ao ar livre, que decorrerá no parque de estacionamento da superfície comercial referida.

Publicado por Leonel Vicente às 08:51 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 24, 2005

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (VIII)

Crónica publicada em "A BOLA", em 11 de Janeiro de 1971

"TORRES NOVAS, 0 - UNIÃO DE TOMAR, 1
F0I MUITO DURO PERDER NO FINAL DO PROLONGAMENTO...

Estádio Municipal de Torres Novas Árbitro: Mário Vidreiro, de Lisboa.

TORRES NOVAS - Casimiro; Tuna, Simões, «Zeca» e Bruno; Sá Pinto, Pestana e Maia; Real, Cesarino (Madeira) e Serranito (Pedro).

UNIÃO DE TOMAR - Nascimento; Fernandes, João Carlos, Cardoso e Barnabé; Cravo (Luís Carlos), Manuel José e Raul; Pavão, Tito e Fernando (Alberto).

Ao intervalo: 0-0.

O único golo da partida foi obtido por Alberto, no minuto 119.º, com violento pontapé desferido da linha média local, e que entrou junto ao canto superior esquerdo das balizas de Casimiro que, todavia, ainda tocou no esférico.

Digam o que disserem, o clima da Taça, estilo à portuguesa, está muitas léguas afastado da temperatura escaldante dos campeonatos.

Mesmo quando os contendores, como agora, são vizinhos e rivais de truz. E essa ideia prevaleceu nitidamente, havendo a sensação que as turmas fizeram um compasso para respirar e dar balanço à vida, o exame de que, afinal, ambas bem necessitadas estarão, sobretudo o Torres Novas, positivamente sem atinar com o ritmo que anule a intranquilidade e a perturbação de que dão mostras.

Daí, nada espantar o clima de sossego em que a partida decorreu, até entre o público que era muito, tendo ambas as turmas, logo de início, com o seu estilo repousado e cauteloso, dado a entender que a audácia passaria a segundo plano nas intenções gerais.

Houve da parte dos torrejanos, uma nítida melhoria em relação aos últimos jogos disputados e o «onze», bastante alterado na sua formação, apresentou-se clarividente, com o apoio dos centro-campistas ao sector atrasado e, das lúcidas trocas de bola, resultava o impedimento dos visitantes se assenhorearem do comando.

Todavia, esta certeza inicial foi efémera, já que os avançados torrejanos, como sucederia em toda a partida, lutavam desapoiados e em nítida desvantagem física, ante a dura e experiente defesa de Tomar.

Assim, ao segundo quarto de hora, os unionistas apareceram com superior insistência, criaram até duas oportunidades bastante perigosas para os locais, mas os torrejanos, depois a mandar até ao intervalo, tanto porque os laterais da «casa» se integravam nas manobras ofensivas, como também porque Sá Pinto, esclarecido, criava interessantes jogadas ofensivas. Um golo quase feito foi salvo «in extremis» por Fernandes sobre o risco. Alguns cantos foram cedidos pelo União, mas o estilo por demais denunciado e lento dos torrejanos, pouco trabalho deu a Nascimento.

Ao contrário do que era visível no campo oposto, pois as infiltrações de Pinto vieram, inclusive, a proporcionar a Fernando ocasião soberana, mas desaproveitada.

O recomeço, após modificação no xadrez das duas equipas, mostrou que de facto o Torres Novas estava desta vez a jogar bastante diferente, para melhor. Simplesmente, a falta de objectividade e expediente na frente, com o consequente «deficit» de remate, era pecha demasiada para criar ilusões. A meio deste período, o Tomar deu a nítida sensação de não se importar com o futebol mastigado dos locais, pensando, e bem, que não perder já seria vantagem, a obrigar à reprise.

Mas como possui elementos de boa craveira, essa valia começou finalmente a revelar-se e safada que foi uma dificuldade pelo poste, esquerdo das balizas de Nascimento, a pronta e perigosa resposta dos tomarenses deu o lamiré ao predomínio deste até final.

Não em situações de golo, práticamente uma só de Alberto ao poste e outra de Tito, anulada por «off-side» nítido, mas sim porque o futebol dos visitantes era mais positivo e intencional e daí mais adequado, em contraste com o afunilamento e a lentidão, vistosa mas improfícua, da equipa de Torres Novas.

O final chegou com o marcador em branco, pelo que se jogou um prolongamento de trinta minutos.

Supunha-se que a menor preparação atlética do Torres Novas fosse «handicap» decisivo a favor do União. Mas a entrada de Pedro proporcionou ao ataque da «casa) outra elasticidade, bem visível com o assédio às balizas de Nascimento. A característica dominante dos dois períodos de quinze minutos foi de parada de resposta, agora com bastante empenho de todos, emoção no exterior, e subida de temperatura em alguns jogadores. Mas o Sr. Vidreiro soube ser firme, sem deixar de ser diplomático.

A emoção chegou a rondar as duas balizas. Tito apareceu endiabrado, Manuel José corria o campo e a réplica dos visitados, se bem que denodada e entusiástica, já não tinha a força anterior, com um meio-campo algo esgotado, mas chegou, mesmo assim, para obrigar o Tomar ao expediente das bolas fora.

Então, o inesperado aconteceu. A escassos minutos do final do prolongamento. E com toda a gente a sonhar já com o desafio do desempate. Alberto, sozinho, pouco além do círculo do meio-campo viu a bola aparecer-lhe aos pés e, num rasgo feliz, arrancou um pontapé que saiu violento e inesperado. Casimiro socou ainda o esférico, mas este colou-se às malhas, rente ao canto superior esquerdo.

Não se pode negar ao Tomar mérito no triunfo, tão pouco esquecer a superior maturidade do conjunto, com Fernandes e João Carlos a mandar na defesa, Manuel José no centro e Pavão e Tito a subirem quanto mais se caminhava para o final, criando e concluindo jogadas de muito mérito.

Todavia, perder nas condições verificadas também não pode deixar de se considerar inglório para uma equipa que muito se reabilitou, mostrando-se mais confiante, batalhadora e, sem dúvida, por tudo quanto fez, a justificar o segundo jogo. Mas isto é futebol.

Bruno, Maia, Casimiro, Tuna e Sá Pinto salientaram-se, sem que os restantes desmerecessem.

Poucas reclamações do público contra o árbitro. E quando assim sucede, é bom sinal e confere nota positiva ao trabalho do Sr. Vidreiro."

MÁRIO NUNO

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julho 23, 2005

"O TEMPLÁRIO" (21.07.05) / "CIDADE DE TOMAR" (22.07.05)

O Templário-21-07-05 CidadeTomar-22-07-05

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julho 22, 2005

MARIA DO CÉU ELIAS

Maria do Céu Simões, de 66 anos - mais conhecida como Céu Elias - é a cozinheira do famoso restaurante tomarense "Chico Elias", recentemente distinguida como integrando a relação dos 10 melhores cozinheiros em Portugal, pela revista "24 Horas".

O júri do concurso, constituído por David Lopes Ramos, Filipa Vacondeus, Francisco José Viegas, Helena Sacadura Cabral, José Nogueira Gil e Manuel Luís Goucha, estabeleceu o seguinte posicionamento:

1º Miguel Castro e Silva (Bull & Bear - Porto)
2º Alice Marto (Tia Alice - Fátima)
3º Vítor Sobral (Terreiro do Paço - Lisboa)
4º Aimé Barroyer (Pestana Palace - Lisboa)
5º Júlia Vinagre (Bolota Castanha - Terrugem)
6º Fausto Airoldi (Bica do Sapato - Lisboa)
7º Augusto Gemelli (A Galeria Gemelli - Lisboa)
8º Francisco Meirelles (Sessenta Setenta - Porto)
9º Maria do Céu Elias (Chico Elias - Tomar)
10º Pedro Nunes (S. Gião - Moreira de Cónegos)

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julho 21, 2005

C.A.S.O. DE OLALHAS

O C.A.S.O. - Centro de Assistência Social de Olalhas, criado na passada semana, assumirá um papel decisivo a nível da qualidade de vida da população da freguesia, em particular dos mais necessitados, de que é exemplo o apoio domiciliário aos idosos ou a distribuição de refeições nas escolas de Olalhas e Montes.

Para que possa desenvolver a sua acção, necessita do apoio de todos, em particular em regime de voluntariado.

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julho 20, 2005

CONCERTO NO CONVENTO DE CRISTO

Hoje, pelas 21 horas, na Capela dos Reis Magos do Convento de Cristo, em Tomar, concerto da EUBO - European Union Baroque Orchestra.

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"EMPADA DE GALINHA"

O próximo espectáculo da Companhia de Teatro de Thomar, o qual deverá estrear ainda neste Verão, será a peça "Empada de Galinha", um texto de comédia seu original.

"Maria, Pedro, Jorge e Dora juntam-se para jantar numa noite qualquer, num dia qualquer, numa cidade qualquer. O pior é que todo este acaso torna-se muito inconveniente quando se descobre que um deles matou uma pessoa, nesse mesmo dia, horas antes e num sítio específico. Todos se tornam cúmplices e a grande questão agora é como se livrarem de um corpo que apenas um deles matou e que se calhar nem está morto?"

(via jornal "Cidade de Tomar")

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julho 19, 2005

COMPANHIA DE TEATRO DE THOMAR

A Companhia de Teatro de Thomar, com Direcção Artística de Pedro Assis, fundada também por Carlos Oliveira, é um grupo vocacionado para os espectáculos de comédia, desenvolvendo textos inéditos ou textos de autor.

Com apenas um mês e meio de existência, apresentou já um espectáculo para crianças ("A Lua Entre as Duas Casas") e outro para o público mais adulto ("Um Pedido de Casamento", de Anton Tchekov).

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julho 17, 2005

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (VII)

Crónica publicada em "A BOLA" em 1971

"BARREIRENSE, 3- UNIÃO DE TOMAR, 0
FARIAS FOI O «CARRASCO» DA TURMA DO NABÃO

Campo «D. Manuel de Melo», no Barreiro.

Árbitro: Maximino Afonso, Lisboa, auxiliado por Beirão Coelho (lado do peão») e Americo de Oliveira (sector das bancadas).

BARREIRENSE - Bento (2); Serra (1). Almeida (2), Bandeira (3) e Patrício (2); Mira (2), João Carlos, «cap.» (2) e José João (2); José Carlos (1), Serafim (2) e Farias (3).

Substituição: Aos 22 minutos do segundo tempo, Manuel de Oliveira ordenou a saída de José Carlos, passando a alinhar o ultramarino Pedro (1) há muito ausente dos campos de futebol.

U. TOMAR - Conhé (1); Kiki (2), João Carlos (2), Dui (2) e Carlos Pereba (2); Ferreira Pinto (2) e Manuel José (2), Vieira (1), Alberto (1), Tito (1) e Faustino, (cap.), (1).

Substituições: No início da segunda parte Vieira não apareceu, jogando nos tomarenses o jovem Raul (1); Cláudio (0) entrou aos 57 minutos, para o lugar de Faustino, passando Alberto a ser o «capitão» do União.

Ao intervalo: 2-0.

1-0, aos 9 minutos por Farias.

Lance de envolvimento pelo lado de Kiki tendo o «esférico» chegado a Farias, postado na frente de João Carlos e de Dui. O brasileiro executa uma série de «driblings», sem ser desarmado e, de repente arranca um formidável «tiro» do pé direito (o seu melhor...), entrando o esférico pelo lado esquerdo de Conhé.

Novo tento aos 42 minutos. Foi seu autor Serafim.

Infiltração de José João pelo lado direito da defesa tomarense e centro alto, que Conhé não defendeu e seria facílimo. O «aríete» do Barreirense aproveitou o brinde, com uma recarga à boca das redes.

Na segunda parte: 1-0.

Jogada veloz do lento Farias, um paradoxo, tendo Ferreira Pinto provocado falta, Farias marcou a grande área e com pontapé rasteiro, mas colocado, de novo funcionou o marcador. Resultado final: vitória no marcador, indiscutível do Barreirense por 3-0.

Quem assistisse apenas aos vinte minutos iniciais do encontro difícilmente poderia admitir que uma das turmas em campo ocupa um dos últimos lugares do «Nacional», quando o adversário está excelentemente colocado, muito perto dos melhores deste campeonato, tão cheio de surpresas.

A formação de Fernando Cabrita apresentou-se alegre e aparentemente moralizada para tentar um bom resultado (interessaria, pelo menos, um ponto...), praticando um futebol solto, variado e rápido na execução, embora se notasse falta, de poder ofensivo, para bater Bento à frente de um bom quarteto de defesas.

Exibindo-se numa concepção de jogo muito diferente, o conjunto de Manuel de Oliveira, teve presença e velocidade de pernas, para responder à toada franca e aberta do União, tendo Farias «avisado» que seria um perigo quando rematou, uma força, uma jogada de muita imaginação do barreirense. Havia três minutos de jogo.

No «onze» de Tomar a ideia seria marcar um tento, de efeitos psicológicos decisivos, mas a turma utilizou um processo que a condenou.

Jogar ao ataque, sem evasivas, convencidos os seus jogadores que de nada valeria um sistema de prudente defensiva, significou para o União uma outra contra-resposta, o «team» do Barreiro, em «casa» adoptou o mesmo critério e venceu.

Venceu porque houve uma diferença enorme, gritante e incontroversa, entre as duas linhas de ataque.

Enquanto a formação vencedora, mesmo com Farias, Serafim e José Carlos, teve esquemas, lúcidos e velozes, subtis e positivas, os vencidos, dispondo de Vieira, Alberto, Tito e Faustino, não criaram «suspenso» perto da baliza de Bento, rematando pouco.

Um jogador foi, no entanto, o grande «carrasco» do conjunto do Nabão, em futebol-jogado (até ao sector atacante) com fases de certo interesse.

Farias, um brasileiro «molengão» e de caprichos que se desmarcou muito para o flanco esquerdo, teve uma influência importantíssima no desfecho do encontro.

No primeiro golo, teve artes de reter o esférico, parecendo João Carlos e Rui hipnotizados, não integrando para rematar depois com um remate de grande espectáculo. Foi mesmo o brasileiro um jogador de acções positivas acções positivas. Na primeira parte marcou um tento, cabeceou, uma vez, por cima da barra e desenhou outro esquema de aplaudir, aos 44 minutos.

Nesta jogada, Farias veio atrás, recebeu a bola, lentamente a conduziu, e quando rematou fê-lo com um «estrondo», que bateria Conhé, passando o esférico perto do poste direito.

Com 2-0 no «placard» e o União a acreditar no 2-1, Farias, num «livre», não perdoou. Foi outra vez «carrasco» da turma do Nabão.

O União tem agora seis jogos para defender a sua permanência na I Divisão, com uma tarefa espantosa, se pensarmos no calendário: em «casa», jogará com o F.C. Porto, Benfica e Belenenses e nas deslocações terá de defrontar o Varzim, Guimarães e Académica.

Rui no sector da defesa, um «miolo» à base de Ferreira Pinto e Manuel José, sendo o ataque constituído por Vieira, Alberto, Tito e Faustino, este regressado a uma função que já conheceu há anos.

Fica na retina dos espectadores a capacidade de muitos jogadores, para exibirem os seus dons.

No jogo com o Barreirense notou-se que na estratégia do meio-campo houve um profundo equívoco: Ferreira Pinto e Manuel José tiveram esquemas de fina execução, o «colored» um momento para marcar (16 minutos) e o antigo belenense colaborou em muito lance vistoso com a bola nos pés.

Contudo, o futebol da «meia-cancha» exige mais que técnica...

Exige uma rápida recolocação, quando a equipa defende, não se deixando os defesas à mercê de um ataque como o do Barreirense, que num ápice, de «3» se transforma em «5» ou «6». Com a integração de Mira, João Carlos e José João ao lado dos outros avançados de base.

Exige um apoio total aos próprios atacantes, se se pretende um futebol ofensivo, ou lançamentos variados e profundos, se o processo for de contra-ataque.

Ontem, o duo Ferreira Pinto-Manuel José ficou-se em «nuances» de execução e teve pouca influência.

Ora, o futebol de meio-campo define um conjunto.

Sucedeu no Barreirense que a equipa teve talento criador, variedade de esquemas, ritmo, condição físico-atlética e moral constante, para chegar aos 3-0 e não pensar em mais golos... Pelo menos não os obteve.

No União com os tentos foi lógico e admissível que a formação se desunisse e acabasse com um futebol de pouco nível.

A equipa sentiu-se frustrada, com os 3-0, no seu subconsciente os jogadores devem ter admitido que tudo se malogrou e quem visse os trinta minutos finais do União diria: um «onze» despersonalizado vogando ao sabor do contendor, onde a defesa, não possui sentido de coesão e os homens da estratégia, isolados, fazem os seus números sendo o ataque muito inofensivo. Sempre este...

E, no entanto o técnico apercebeu-se de algo que não poderia competir com o Barreirense, se o «4-2-4» não se alterasse para um «4-3-3», mais elástico.

Saiu Vieira e entrou um novato, Raul, para uma tarefa dificílima competir com Ferreira Pinto e Manuel José em apoio, na frente dos «metediços» e experientes Mira, João Carlos e José João um trio sempre intencional.

Está o Barreirense de 1970 com uma categoria, que, lenta mas seguramente, evolui, para um futebol de maior expressão colectiva.

Nota-se, ainda, em certos futebolistas uma «recordação» da II Divisão, com pontapés à toa, para a frente, mas o «team» tem momentos de movimentação curiosa.

Nunca esteve em dúvida a vitória, um factor decisivo, numa turma que começa a convencer o público do Berreiro.

Futebol muito rápido e apoio, foi a síntese da turma que joga muito Para Farias, capaz de bons tentos se os defesas lhe permitem liberdade de acção.

Cem a entrada do extremo-esquerdo de seu nome Pedro um antigo elemento do F. C. Porto, muito conhecido, a formação melhorou em extensão de ataque, mas não aumentou o «score». Estava-se na fase de jogar por jogar.

Melhores: Bandeira, não pelo trabalho que teve, mas devido à execução demonstrada, num jogador realizado; João Carlos, à vontade como «centro-campista». José João activo e Mira, esclarecido.

0 «negão» Farias tem «fans» no Barreiro, mesmo nos lances sem categoria. Trata-se de um «omine» que é perigoso, nos golpes de cabeça (com força) ou «tiros» com o pé direito.

Serafim, mexido, Patrício, sem destoar, Madeira a impôr-se nos choques e Bento, tranquilo, não desmereceram. Serra actuou com energia e Pedro não brilhou (bem longe...) devido à falta do ritmo de competição. Naturalmente, tem uns quilos a mais, a habilidade de pés a mesma de sempre.

A gente de Tomar utilizou o sistema de jogar muito com a bola, pouco em desmarcações sem esférico e raro para a grande área do Barreirense.

Barreirense dificilmente, não por falta de preparação, pensa-se, muito por que psicológicamente o nervos levam a inibições com os tentos de Farias muito influente o terceiro, mais que o primeiro, na fase em que a equipa ainda pensava em jogar a baliza de Bento.

Não devemos fazer grandes referências pessoais, porque nem todos os Tomarenses desiludiram, alguns tiveram fases de maior inspiração e outros jogaram com pouco apoio. No ataque... e na defesa. A «ficha» do jogo diz tudo.

Excelente arbitragem

Teve grande nível o trabalho de Maximino Afonso, discutido quando o Barreirense apenas vencia por 1-0 e o União tinha pretensões.

Decisões acertadas, que não prejudicaram o Barreirense, porque as faltas eram mesmo do clube da «casa».

Autoridade e bons julgamentos na lei da vantagem, com nítida colaboração das «bandeirinhas». Os fora-de-jogo de Farias existiram mesmo, excepto um, mal assinalado pelo auxiliar do lado do «peão».

Certo o critério do árbitro no «caso» de jogadores magoados. O melhor, porque o árbitro deve-se aperceber quando o futebolista faz anti jogo ou está mesmo tocado. Bem, a ordenar os tratamentos fora do campo."

MÁRIO MACEDO

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julho 16, 2005

"O TEMPLÁRIO" (14.07.05) / "CIDADE DE TOMAR" (15.07.05)

O Templário-14-07-05 CidadeTomar-15-07-05

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julho 14, 2005

MANUEL GRAÇA REELEITO PRESIDENTE

Manuel Graça foi reconduzido no cargo de Presidente da Direcção do União de Tomar, para novo mandato com a duração de dois anos, ao bater nas eleições o candidato Rui Martinho, tendo alcançado cerca de 60 % dos votos dos presentes na Assembleia Geral do clube.

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julho 13, 2005

"FATIAS DE CÁ" EM LISBOA

Amanhã, no Castelo de S. Jorge, pelas 20 horas, apresentando "A Tempestade" (de William Shakespeare).

No Sábado, no Convento de Cristo, voltam à cena, pelas 19h18.

A agenda completa, disponível aqui!

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julho 12, 2005

ASSEMBLEIA GERAL DO U. TOMAR

U. TomarNuma das Assembleias Gerais mais concorridas dos últimos 15 anos, evidenciando que os tomarenses desejam que o União de Tomar prossiga a sua caminhada, foram apresentadas as duas candidaturas à Direcção do clube, lideradas respectivamente pelo Presidente em exercício, Manuel Graça, e pelo antigo Presidente do clube, Rui Martinho.

Não obstante, não foi ainda desta que o União ficou a conhecer quem assumirá a condução dos destinos da colectividade, uma vez que, por razões estatutárias (em particular a insuficiência de elementos designados para o órgão denominado "Conselho Geral"), esta reunião teve de ser novamente adiada, devendo ser retomada hoje, às 21 horas, na sede da Junta de Freguesia de S. João Baptista.

Publicado por Leonel Vicente às 09:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 10, 2005

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (VI)

Crónica publicada em "A BOLA", em 9 de Fevereiro de 1970

"UNIÃO DE TOMAR, 1 - V. SETÚBAL, 2
SETÚBAL TEM AGORA GRANDE LUGAR A DEFENDER

Estádio Municipal de Tomar.

Árbitro: Porfírio Silva, de Aveiro.

UNIÃO DE TOMAR: Conhé (2); Kiki (3) Faustino, «cap.», (1), Ferreira Pinto (1) e Carlos Pereira (1) ; João Carlos (1) e Manuel José (1); Leitão (1), Alberto (1), Tilo (2) e Vieira (1).

V. DE SETÚBAL - Vital (2); Conceição «cap.» (3), Cardoso (4), Alfredo (2) e Carriço (3); Tome (3), José Maria (3) e Wagner (2); Vítor Baptista (3), Arcanjo (2) e Jacinto João (2).

Ao intervalo, 1-1.

4 minutos de jogo, golo do Vitória, Carriço levou a bola pelo seu corredor, deixou-a em Jacinto João e continuou a correr, iludindo a defesa da «casa». Jacinto João, porém decidiu-se por um largo centro, saltaram vários jogadores mas não tocaram no esférico e Tomé, surgindo com oportunidade, na zona central, rematou de cabeça. A bola surpreendeu Conhé, balanceado para a esquerda e entrou na Baliza da União pelo canto direito. Aos 12 minutos, um grave acidente afastou Tomé do jogo. A jogada que esteve na origem do choque entre Tomé e um adversário (cabeça contra cabeça) foi idêntica à que deu o golo.

Também houve um centro de Jacinto João e também Tomé se fez ao remate, que ainda lhe saiu, levando a bola a roçar a barra.

Simplesmente, um adversário saltou com ele e, involuntáriamente, na intenção de certo de jogar a bola, teria chocado com o médio setubalense. Este foi retirado do campo em maca e conduzido ao Hospital de Tomar. Para seu lugar entrou Raúl Vítor (2).

Dois minutos depois, nova baixa, desta vez, na turma nabantina, Vieira e Cardoso chocaram. O primeiro recebeu ferimentos numa perna e teve de abandonar o relvado, sendo substituído por Totoi (3).

E foi Totoi quem fez o ponto de empate. Uma bola alta foi desviada por Vital e o extremo tomarense fez a recarga cem um belíssimo pontapé. Estavam jogados 39 emocionantes minutos.

Segunda parte, 0-1.

A turma vitoriana fez o golo do triunfo aos 9 minutos: Jacinto João centrou de junto da linha lateral e VÍTOR BAPTISTA, rapidíssimo, antecipou-se a todos os adversários, guarda-redes incluído, para atirar forte e rasteiro. As equipas ainda fizeram substituições: Ferreira Pinto saiu e entrou Rui (1), aos 13 minutos. No Vitória, Mendes (1) substituiu Raúl Vítor.

Em Tomar mora dramatismo.

O União, que tão laboriosamente conseguiu a sua vinda para a I Divisão voltou a perder pontos e emparceirado com o Boavista no fundo da tabela classificativa. Assim, o Ribatejo está em vias de perder o que é o único representante no futebol mais qualificado porque as perspectivas são, realmente, bastante más.

É verdade que enquanto há vida há esperança e também é verdade que a equipa do União de Tomar não é, de forma nenhuma, a pior do Campeonato pelo que pode haver surpresas, está igualmente, no domínio das previsões um «volte-face», um lampejo de génio que resolva o desafio e proporcione pontos dos que a equipa ainda tem para ganhar, se não perder a cabeça, se não se deixar influenciar seja por quem for.

A tranquilidade não poder ser uma arma nabantina nas condições em que a turma de Óscar Tellechea se encontra e a surpresa dos adeptos do clube é tanto maior quanto é certo que, em teoria, os elementos que formam a equipa da época de 69/70 são mais valorosos dos que formaram o «timinho» consciente e ligado capaz de suportar o União entre os maiores do futebol português numa temporada que por ser a inaugural em tais andanças, parecia difícil de correr sem riscos sérios.

Mas, se não pode existir tranquilidade nos jogadores nabantinos, pode haver ao menos um mínimo de confiança nos próprios recursos e essa qualidade e o entusiasmo são trunfos de que, neste momento, os futebolistas de Tomar podem deitar mão, esquecendo tudo quanto sucedeu até aqui, mesmo as notícias vindas a público, semanalmente, da troca do treinador, e que podem ter estado, em parte, na origem de uma segunda intranquilidade, uma tranquilidade igualmente nefasta gerada pela «suspense» de uma mudança de critério, de rotina de treinos, de estilo de jogo.

O adversário de ontem não ajudava à recuperação. Era uma equipa demasiadamente sabida, com grande reportório de lances, variedade de esquemas e, sobretudo, mentalização. Qualquer «team», por muito adulto que se entenda, tem de usar precauções para defrontar os setubalenses com um mínimo de probabilidades de êxito. Jogar abertamente ao ataque, como quem vai ao encontro do perigo, heróica decididamente, quase que diríamos lealmente, não adianta muito quando o antagonista tem a classe e o virtuosismo dos jogadores das margens do Sado.

Não foi, portanto, a equipa mais a propósito para aparecer no Municipal de Tomar nesta altura em que os adeptos do clube exigem frente ao Sporting de Braga num desafio que era de ganhar e se empatou nas circunstâncias conhecidas.

E de dois jogos em terreno próprio o União de Tomar extraiu um único ponto num máximo de quatro. De contas de somar a contas de diminuir.

0 Vitória, antes e depois da lesão de Tomé foi, por conseguinte, uma equipa apreensiva que o Vitória encontrou em Tomar e de tal maneira a turma vitoriana pareceu gigantesca de força e de valia aos nabantinos que estes nem sequer reparam num pormenor deveras importante. É que os sadinos, também eles, jogavam cartada importante por terem dentro de si escondida, mas latente, a vontade de alcançar posição alcandorada no Campeonato.

Pedroto é um treinador ambicioso. Pôs os olhos no segundo lugar e, por isso, a sua equipa teve de pôr os olhos no segundo lugar. Portanto, também os vitorianos tinham algo a defender e daí o facto de não poderem entrar na competição do Estádio Municipal de Tomar absolutamente à vontade, convencidos de que ganhariam o jogo sem larga controvérsia.

Pois a nós pareceu realmente que o União nunca pensou no estado de espírito do adversário só para acusar o seu próprio. E as circunstâncias proporcionaram-lhe a possibilidade de ganhar o jogo ou de ao menos construir superioridade sobre a Vitória. Foi um golpe de azar, foi o afastamento do rectângulo de um futebolista magnífico que concedeu a hipótese quando tudo parecia encaminhado para a derrota nabantina.

Mas, o jogo, porque é jogo, sujeita os seus elementos ao que de bom e de mau pode suceder em campo. Primeiro, a infelicidade de Tomé que jogava com a sua tradicional alegria, que contagiava os companheiros com as suas intervenções esplêndidas de entusiasmo e de jeito e acabou por sair na maca dos bombeiros, sentidos perdidos, longe, muito longe do rapaz cheio de saúde que viramos momentos antes. Depois, a quebra que a sua saída provocou nos companheiros que deixaram de ter junto de si uma das mais brilhantes e eficazes molas impulsionadoras do ataque setubalense.

O Vitória, mais endurecido, mais senhor das suas convicções, soube disfarçar algum nervosismo se, porventura, o tinha, e admitimos que sim porque o receio do jogo, ao adversário, do resultado devem ser constantes do futebolista consciente que não aceita partidas ganhas de antemão como não deve consentir-se perdido sem esgotar todos os recursos.

A equipa adoptou o sistema habitual, usou das tradicionais variantes, das transformações do «4x3x3», puxando elementos para a defesa, adiantando jogadores para a frente, conforme jogava no seu meio-campo ou no do antagonista, e aproveitando com regularidade, com método, diremos mesmo que com força de rotina, os corredores laterais. Tomé esteve como, de resto, sucede em todos os desafios, na base das desmarcações e afins, infiltrações. O seu poder de arranque dá-lhe rapidez para a jogada de flanco que tantas preocupações causam aos defesas.

O Vitória dominava o jogo, já tinha metido um golo e parecia senhor da situação quando Tomé, mais uma vez rapidíssimo e espectacular a aparecer na zona de remate, saiu lesionado após um choque com adversário. E as coisas modificaram-se. Porquê? Especialmente, porque causa sempre um certo choque nos jogadores a saída de um companheiro seriamente lesionado.

Sob o ponto de vista psicológico, a retirada do camarada no rectângulo com todo aquele aparato de massagista a correr, de médico apreensivo (justa e conscientemente, claro), de público emudecido como se desgraça caísse naquele momento no campo, atinge os jogadores, encharca-lhes de água fria o fogo da luta, o entusiasmo da competição; depois, a mecanização da equipa fica traumatizada: por fim (isto no caso do desafio de ontem), o substituto de Tomé, embora vivo e jeitoso, não tem a rotina de jogo do homem que foi substituir, nem, actualmente, a sua classe.

E o Vitória saiu do domínio consciente do jogo para um período em que poderia ter sido superiorizado pelo antagonista. As jogadas, por norma bem definidas caíram num sucessão de carência como se a roda dentada, que é a turma sadina, tivesse dificuldades em engrenar no seu próprio estilo.

O União de Tomar deu conta de que algo de diferente havia no Vitória. E encetou uma série de jogadas ofensivas que tinham apenas um cariz: entusiasmo. A equipa sentia-se limitada, sentia que os seus opositores constituíam barreira difícil e resolveram desfeiteá-los, utilizando o trunfo que a intranquilidade e mesmo o medo melhor deixam transparecer: a entrega total à luta, correndo, atirando, centrando, chocando... forçando.

Totoi, oportuno e inteligente, marcou o golo do empate no momento mais propício para os nabantinos a segurarem o jogo. Todavia, pressentia-se a classe dos vitorianos. Pois aí estava a grande «chance»: Vitória desencorajado, desanimado com a perda de Tomé e talvez, até, apreensivo com a sorte do camarada que tinha estampada no rosto a lesão que prostrara, Vitória desencontrado de si próprio, quase desorientado, a avaliar-se pelos sintomas muito esclarecedores da equipa não conseguir ligar um lance e da sua defesa se ter consentido a pontapés de alívio demasiadamente insistentes. Via-se que a turma sadina tentava fazer passar tempo, sair da crise, para depois se reorganizar.

Ora, o União viu as possibilidades de ganhar ali ao jeito da mão. Era só aproveitar a oportunidade com cabecinha e aproveitar bem aproveitadinho o tempo para jogar até ao intervalo. E não o fez. As jogadas dos médios (e até os pontapés «livres») tiveram quase sempre uns metros a mais. Os passes foram, por norma, fáceis de interceptar e os flancos do campo pouco utilizados. Os nabantinos, em vez de se organizarem num bloco que tivesse fluxo preferiram enveredar por um futebol à base de improvisação que deu ao adversário a oportunidade de chegar ao intervalo com o jogo empatado.

O Vitória voltou

O princípio do segundo tempo deu logo o «lamiré»: o Vitória tinha vencido a sua própria inibição. Pujante, poderoso, aguerrido e com o desejo indómito de vencer. O Benfica perdia ao intervalo com a CUF. Ainda tinha mais quarenta e cinco minutos para rectificar, mas a sua desvantagem era uma esperança e o tal segundo lugar, onde a equipa sadina nunca ficou, parecia estar mesmo à espera dos homens de Setúbal.

A mecanização do jogo do Vitória voltou a preocupar o União de Tomar que não conseguia antídoto para evitar aquele girar rápido da bola de jogador para jogador como se o esférico fosse defeso e as botas tivessem íman. O Vitória chegou, assim, à posição de dominador de todos os sectores do campo, até porque era indiscutível, sob o ponto de vista técnico-táctico-físico, a superioridade dos homens do meio-campo setubalense em relação ao adversário, onde faltava de tudo um pouco e, sobretudo, esclarecimento e sangue-frio.

Foi mesmo o grande óbice dos médios nabantinos, para além da inadaptação de João Carlos à posição intermediária em jogos em que a equipa tem de atacar muito e ele tem de jogar muitos metros à frente do seu lugar de rotina e colaborar nos lances de ataque, o que não é o mesmo que desfazer lances de ataque, a ausência de frieza nas intervenções. Desde uma toada pouco fluente à má marcação aos jogadores da intermediária de Setúbal, ainda que beneficiando de uma certa apatia de Vagner, os médios nabantinos não conseguiram ligar, com regularidade, a sua defesa à linha de ataque. Perderam muitas jogadas por nunca terem conseguido meter a bola para além dos defesas forasteiros, no espaço vazio entre as coisas destes e Vital.

Endossando-a, directamente, ao jogador, os médios do União de Tomar deram aos defensores setubalenses a possibilidade de desfazer todas as jogadas ofensivas, bastando-lhes antecipação e atenção.

E a prova do que dizemos está na vida tranquila levada por Vital em todo o segundo tempo. Sem exagerarmos, podemos dizer que apenas se preocupou, ligeiramente, com um remate de longe de Leitão, que saiu, todavia, ao lado do poste.

Ora, os vitorianos não entregaram, por sistema, um passe aos caprichos do acaso. «A bola é para a gente a ter» pensam e pensam bem. «Se a entregamos ao antagonista esta pode fazer dela o que quiser». Dentro desta teoria, o Vitória procura sempre dar destino verde-branco aos endossos e raramente acontece entrar em situações difíceis por causa de uma má entrega. Parece-nos virtude de pôr em destaque.

E não se pode dizer, até, que a equipa tenha agora um futebol muito miudinho. Continha a ter, isso sim, um futebol muito apoiado. Mas existe grande diferença entre futebol cerzidinho e futebol intencionalmente apoiado, com os médios a catapultarem o jogo, a defenderem, a trocarem com os dianteiros, com os defesas, a tomarem conta do rectângulo através de jogo posicional e de desmarcações.

Com o golo de Vítor Baptista, alcançado aos 9 minutos, a crença voltou ao Vitória e a descrença instalou-se nas hostes nabantinas. Nunca mais existiu em campo nem fora dele, a dúvida do resultado. E os jogadores de Tomar, naquele seu assomo de dignidade, que lhes reconhecemos naquele seu esforço formidável para modificarem o panorama da partida, tentando jogadas de ataque mas perdendo-as por sistema em benefício da escalonada defesa setubalense e da sua linha de apoio, deram espaço no seu meio-campo, aos jogadores do Sado para fulminantes contra-ataques que só não deram golo porque Conhé, por um lado, e Vítor Baptista. José Maria, Vagner Arcanjo e Raul Vítor (e não há exagero neste enumerar de jogadores que tiveram o golo feito), por outro resolveram acertar por sistema com a bola no corpo do guarda-redes, quando parecia que a este só restava o recurso de a ir buscar à baliza.

Foi, na verdade, um festival de golos perdidos e só por isso o União de Tomar conseguiu sair deste encontro airosamente e vamos lá manter, até ao 90º minuto, acesa a esperança dos seus adeptos porque um golo pode surgir em qualquer altura e os nabantinos, não obstante as limitações mais de origem psicológicas do que propriamente, técnicas„ poderiam chegar-se às redes de Vital e batê-lo.

No entanto, a verdade manda que se diga que isso seria altamente injusto, pois a segunda parte foi inteirinha dos setubalenses e só a incrível falta de pontaria dos seus jogadores consentiu que se chegasse no fim sem a partida antecipadamente resolvida.

Vitorianos no segundo lugar

Agora, vai ser muito pior o Vitória teve ontem a prova. Agora, os setubalenses, embora com muito Campeonato ainda para jogar, chegaram à almejada posição, a mais alta da competição que está ao alcance prático de duas ou três equipas. Têm de a defender. Aqui, parece-nos que reside a dificuldade porque, naturalmente, as coisas vão tornar-se mais difíceis e o Vitória terá de recorrer a todos os seus vastos recursos para defender a posição brilhantemente alcançada.

A ausência de Tomé, se for longa, pode afectar a equipa, dado que o jogador estava numa «forma» notável; mas, Pedroto saberá enquadrar um «reserva» no conjunto. Pode muito bem ser o jovem Raul Vítor, que talvez seja adaptável às funções do excelente, médio.

A classificação para o prémio «Somelos Helanca» que demos à equipa reflecte a sua valia e a actuação dos jogadores. Vital e a defesa quase sempre muito bem. Os laterais, pela forma como manobraram no meio-campo e flancos do terreno, merecem mais alguma coisa. Boas exibições.

Linha média com a quebra já assinalada. Depois, recuperou, Vagner teve dificuldades em dominar a bola nas «carecas» da relva e esse pormenor deu ao seu jogo certa sensação de apatia. José Maria, fulgurante e em excelente «forma». Bons remates, boas infiltrações, boas arrancadas.

O mais parecido com Vagner foi Jacinto João, também um tanto parado. Quando ele dribla «parado», é mau sinal. Contudo, esteve na origem dos dois golos. Arcanjo falhou, espectacularmente, um remate, quando estava sozinho defronte das redes e com Conhé batido. Foi o seu erro. De resto bem, até a jogar de cabeça. Ele que é pequeno! Vítor Baptista, mexido, atrevido, cheio de força, fez jogadas magníficas e marcou o ponto da vitória.

Foi ainda utilizado um jogador (José Mendes) bastante habilidoso, no qual o Vitória deposita fundamentadas esperanças. Esteve pouco tempo em jogo. Esperemos nova oportunidade.

Os nabantinos não são ainda uma equipa destroçada. Mas têm de reagir para que não caiam na descrença. Como já dissemos, no Campeonato existem duas, três equipas que não são melhores. Portanto, ainda pode haver esperança em Tomar.

Na tarde de ontem, o conjunto teve a infelicidade de encontrar-se com o Vitória. Não lhe foram concedidas facilidades. Mas, a equipa poderia ter feito outro jogo se o antagonista fosse de outra qualidade.

Conhé não jogou mal, nem teve culpas no primeiro golo.

Estava «lançado» para um lado e o remate de Tomé saiu para o outro. Onde estavam os defesas? O sector defensivo teve em Kiki o seu melhor elemento, em todos os aspectos, incluindo o canalizar do jogo para a frente. Os outros a roçar o fraco. João Carlos não será mais útil na linha de defesas? Na linha média, não nos parece que seja de grande utilidade. Leitão e Manuel José chegaram a remar contra a maré, mas foram, por norma, infelizes a passar e perderam nitidamente a luta do meio-campo. Dos seus defeitos falámos no decorrer desta crónica.

Totoi cotou-se como o avançado mais certo. Sóbrio, jogou também com inteligência, dando seguimento às jogadas, sendo sempre intencional. Fez um belo golo que tê-lo-ía lançado para um jogo muito mais produtivo se tivesse sido ajudado. A seguir, pela ordem de regularidade, Tito.

Por fim, Rui, a entrada deste jogador obrigou à saída de Faustino do seu terreno, cá atrás, para outro mais difícil, lá à frente. Nada de proveitoso saiu da alteração do seu terreno, cá atrás, para outro proveitoso saiu da alteração.

Fazer vista grossa

Porfírio da Silva não estava nos seus domingos. Equivocou-se a julgar faltas, não foi bem auxiliado pelo juiz de linha do lado da bancada e deixou passar sem reparo rasteira a José Maria, dentro da área do União de Tomar, aos 22 minutos. Repetiu o erro aos 42 minutos, portanto muito perto do fim do jogo, quando, ali nas suas barbas Vagner foi agarrado (quase que abraçado) por um defesa nabantino também dentro da zona em que a falta é punida com grande penalidade. Enfim, vista grossa. O que é bastante lamentável."

HOMERO SERPA

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julho 09, 2005

"O TEMPLÁRIO" (07.07.05) / "CIDADE DE TOMAR" (08.07.05)

O Templário-07-07-05 CidadeTomar-08-07-05

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julho 08, 2005

JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA

José-Augusto França nasceu em Tomar em Novembro de 1922. Fez estudos em Lisboa e em Paris, em cuja universidade se doutorou em História e em Letras e onde foi professor Associado.

É catedrático jubilado (de História da Arte) da Universidade Nova de Lisboa. Foi presidente da Academia Nacional de Belas-Artes e do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.

Presidente de honra da Association Internacionale des Critiques d’Art, vice-presidente da Académie Européenne, membro honorário do Comité Internacional d’Histoire de l’Art e membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

Dirigiu o Centro Cultural de Paris da Fundação C. Gulbenkian e a revista Colóquio/Artes desta instituição.

Em 1992 recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública e a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa.

Desde 1949 publicou numerosas obras em Portugal e em França: Lisboa Pombalina, O Romantismo em Portugal, Os Anos 20 em Portugal, A Arte em Portugal no Século XIX, A Arte em Portugal no Século XX, História da Arte Ocidental, 1780-1980, entre outros.

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julho 07, 2005

ANA RENTE BI-CAMPEÃ NACIONAL

A ginasta tomarense Ana Rente conquistou na passada semana o 2º título de Campeã nacional em Trampolim Feminino no Campeonato de Portugal de Trampolins e esportos Acrobáticos, tendo vencido todas as provas disputadas em Portugal.

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julho 06, 2005

ACTIVIDADES DO CONVENTO DE CRISTO

Na primeira Quarta-feira de cada mês, decorre a visita "As Pedras falam", abertas a grupos do pré-escolar e do 1º ciclo, a partir de 30 crianças. Marcação prévia pelo telefone 249 313 481 ou fax 249 322 730.

No último Domingo de cada mês, as visitas "Pais ao Convento", com entrada gratuita nos monumentos afectos ao IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico).

De 1 a 31 de Julho, das 9 horas às 18h30, "Keo, The Space Time Capsule", uma visita com contacto virtual com os descendentes de daqui a 50 000 anos.

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julho 05, 2005

EXPOSIÇÃO DE CARTAZES DO "ESTADO NOVO"

É inaugurada hoje, na Capela de S. Gregório (frente ao Hotel dos Templários), a exposição "Visitai Thomar", uma mostra de cartazes turísticos da época do "Estado Novo", mais concretamente, da primeira metade do século XX.

Estes cartazes, peças de um período da nossa História colectiva, revelam uma criação modernista, de que fizeram parte nomes como o de Almada Negreiros.

Numa organização dos serviços de Museologia da Câmara Municipal de Tomar, a exposição, aberta das 14 às 17 horas de Segunda a Sexta-feira, e também, aos fins-de-semana, entre as 10 e as 13 horas, estará patente até 18 de Setembro.

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julho 04, 2005

ASSEMBLEIA GERAL DO U. TOMAR

Prossegue hoje, pelas 20 horas, na Junta de Freguesia de S. João Baptista, a Assembleia Geral do U. Tomar - que havia sido suspensa no passado dia 16 de Junho -, na qual deverão ser eleitos os novos órgãos sociais do clube.

O actual Presidente, Manuel Graça, e um antigo Presidente, Rui Martinho, deverão ser candidatos a liderar a Direcção.

Entretanto, Manuel Graça anunciou já o novo treinador de futebol, João Alves, antigo treinador do Alvaiázere.

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ANTÓNIO PAIVA RECANDIDATO À CÂMARA

O actual Presidente da Câmara Municipal de Tomar, António Paiva, independente integrando a lista do PSD, anunciou a recandidatura a um terceiro mandato no cargo. Deverá ser secundado por Corvêlo de Sousa, Carlos Carrão e Rosário Simões.

O cabeça de lista do partido à Assembleia Municipal é também uma aposta na continuidade, com Miguel Relvas.

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julho 03, 2005

"O TEMPLÁRIO" (30.06.05) / "CIDADE DE TOMAR" (01.07.05)

O Templário-30-06-05 CidadeTomar-01-07-05

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U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (V)

Crónica publicada em "A BOLA", em 2 de Fevereiro de 1970

"UNIÃO DE TOMAR, 1 - SP. BRAGA, 1
MERECIA MAIS DO QUE O PRIMEIRO PONTO «FORA»

Estádio Municipal de Tomar.

Árbitro: Adelino Antunes, auxiliado por Celso Melo e Martinho de Almeida, equipa da C. D. Lisboa.

U. TOMAR - Conhé (0); Kiki (1), Faustino, «capitão», (2). Ferreira Pinto (3) e Barnabé (2); Manuel José (2), João Carlos (1) e Luís Carlos (1): Tilo, Leitão (1) e Vieira (1).

SP. BRAGA - Armando, «capitão» Agostinho (2), Alípio (2), Leio (2) e José Manuel (2); Lua (2), Alfredo (2) e Fernando (2); Palmeira (3), Mário (3) e Rendeiro (2).

Substituições, todas no segundo tempo: logo de entrada, Luís Carlos por Alberto (2) e Alípio por Fernando II (2); aos 15 minutos, Faus (lesionado) por Dui (1) e Lua sobral (2).

Ao intervalo: 0-0.

No segundo tempo: 1-1.

Os bracarenses marcaram primeiro, por intermédio de MÁRIO, aos 5 minutos, no seguimento de um «livre», apontado por Lua, na direita.

Toda a defensiva tomarense ficou à espera não se sabe de quê. Mário teve tempo e espaço mais que suficiente para recolher a bola ajeitá-la e, à meia volta, rematar frouxo e cruzado. A incriminar os seus colegas pelas liberdades concedidas ao autor do golo, Conhé foi nitidamente mal batido, pois quase nem esboçou a defesa, apesar de o esférico passar perto de si e com pouca velocidade.

1-1, por ALBERTO, aos 15 minutos, rematando de cabeça uma bola vinda de «canto» apontado por Leitão, da esquerda. A jogada foi irregular pois Armando viu-se impedido de saltar para a bola, já que um adversário lhe puxou pela camisola, mas os seus veementes protestos, secundados por alguns companheiros, não resultaram junto do árbitro.

Resultado: 1-1.

Em Tomar, disputou-se ontem um desafio de grande importância, provavelmente, para a arrumação dos clubes no Campeonato, quanto aos últimos lugares, tão certo é que tomarenses e bracarenses se encontravam e encontram ameaçados para tão indesejáveis posições.

Por isso mesmo, surpreendeu-nos a «frieza» digamos assim, com que a equipa do União, salvo honrosas excepções, se bateu em quase todo o tempo, mais parecendo que o jogo tinha para si uma importância apenas relativa e não aspectos que, até certo ponto, pelo menos, poderiam considerar-se decisivos dado defrontar adversário nas mesmas circunstâncias, e para mais tendo-se verificado um empate (1-1) em Braga, na primeira «volta».

Em tal capítulo, os jogadores do União nem podem lamentar-se, no caso de ontem, do público porque se é verdade que ele não compareceu em grande número, para lhe prestar um apoio intenso e continuo, também é exacto que aqueles que compareceram não poucas vezes lançaram para o terreno brados de exortação, tentando «puxar» pela equipa, rumo ao necessário.

Foi a própria equipa, porém, que começou por fazer esfriar esse entusiasmo do seu público e acabou por o emudecer, até, quase por completo, porque, não jogar bem, é uma coisa, e não fazer tudo por isso, é outra, bem diferente e o que se viu foi uma estranha apatia, em diversos casos pessoais, acontecendo mesmo lances em que jogadores de posições-chave foram batidos e... se consideravam batidos, não voltando à disputa da bola com o entusiasmo e o «elan» próprio de quem quase joga em cada lance o muito complexo problema que é a descida de divisão de um clube de futebol profissional.

Sabemos que são duras estas nossas considerações e que até poderá haver quem vá melindrar-se com elas, mas entendemos que a única forma de se fazer Crítica honesta é não fugir a tais riscos e, aliás, frequentes vezes vimos esta nossa opinião corroborada no intervalo, durante e no fim do jogo, por diversos partidários do União que estabeleciam amargos confrontos entre a tal «frieza» observada, ontem, a muitos dos jogadores da equipa nabantina e o «querer» inexcedível, pelo que já sabíamos e ouvimos ontem, para eles manifestados, no domingo anterior, contra o Sporting.

Toda a gente sabe que o estado de espírito dos jogadores e reflexamente, das equipas é muitas vezes pautado pela «estatura» do antagonista de cada encontro, mas não há dúvida de que, ontem, vários dos futebolistas tomarenses abusaram, realmente na transmissão da ideia de que não sentiam a muita importância do jogo que disputavam.

Do lado bracarense, por sua vez, tudo se passou de modo diametralmente oposto. Não houve nenhum dos seus jogadores que, do primeiro ao último minuto, deixasse de se entregar ao duelo com tudo quanto tinha dentro de si e fazendo de cada lance, pois, um caso quase decisivo para o tal complexo problema que é a descida de Divisão de um clube de profissionais.

Só nisso, é evidente que já haveria vantagem para os bracarenses. Mas os bracarenses não se limitaram a ficar por ali. Embora denunciando, de entrada, um nervosismo próprio das responsabilidades do encontro, cedo entraram a manifestar uma organização global e um sentido de entreajuda bem superiores aos dos tomarenses, dentro de um sistema de trocas de bola rasa e de súbitas mudanças de velocidade e de flanco, quando já nas proximidades da grande área adversa.

Foi por tudo isso que, apesar de ter exercido maior domínio territorial (intenso, mesmo, após a igualdade) o União de Tomar nunca conseguiu ser tão perigosos como os minhotos. Faltou-lhe, além do arreganho do seu muito brioso antagonista, um igual sentido de colectivismo e um igual discernimento, na construção e na finalização do jogo.

De aí, considerarmos que o empate foi o mínimo prémio que o Sporting de Braga merecia, nesta sua bem importante deslocação ao terreno dos nabantinos.

Até porque...

Os tomarenses podem lamentar-se das circunstâncias em que, afinal, sofreram o único golo dos minhotos. Foi, na realidade um «frango» enorme do seu guarda-redes, depois de uma incompreensível paragem de toda a defesa que desde os 28 minutos do primeiro tempo, era constituída por Kiki, João Carlos, Faustino e Barnabé, devido à troca de posições entre João Carlos e Ferreira Pinto.

Mas, independentemente do facto de os bracarenses terem desfrutado de melhores ocasiões para marcar, ao longo do jogo todo, há que considerar o reverso da medalha. E esse reverso da medalha foi a flagrante irregularidade do golo dos tomarenses, pois só a infracção cometida sobre Armando (puxado pela camisola) terá impedido que o guarda-redes minhoto interceptasse o «canto» e evitasse, assim, que a bola chegasse à cabeça de Alberto.

Mais: a dois minutos do fim do encontro, Sobral viu-se derrubado, irregularmente, por Barnabé, dentro da grande área tomarense e o árbitro não considerou a infracção.

Ora oremos que estes dois factos não só anulam os tais motivos de lamentação dos tomarenses, como reforçam a nossa opinião de que o Sporting de Braga justificou plenamente a conquista do seu primeiro ponto em terreno alheio, neste campeonato.

Houve, pois, no União de Tomar, uma tarde de manifesto desacerto. Um desacerto quase colectivo, do qual apenas se salvaram Faustino, Barnabé, Manuel José, Alberto e, sobretudo Ferreira Pinto, que foi, de longe, o melhor, quer na defesa, quer depois, quando passou para o meio campo.

Esta permuta, aliás, constituiu uma das poucas notas positivas da equipa, o mesmo se podendo dizer da saída do brasileiro Luís Carlos, que se estreou e revelou bom toque de bola, mas denunciando uma naturalíssima falta de competição e, por isso, teve em Alberto (um jogador que «vai a todas» e que até marcou o golo...) um substituto de muito melhor rendimento.

Todos os restantes estiveram mal de mais e, em relação a Leitão, há que verberar-lhe a forma como reagiu, dentro dos primeiros vinte minutos, a «placagens» que lhe fizeram Alfredo e Alípio.

E o mesmo se poderá dizer de uma «entrada» de Manuel José a Mário, que teve de receber assistência fora do terreno.

Com um árbitro mais firme, em qualquer dos casos...

Sobre o Sporting de Braga pouco mais, há a acrescentar. Notável de espírito de luta e exemplarmente disciplinada, a equipa minhota não terá realizado uma grande exibição, nem isso poderia esperar-se-lhe, mas soube aproveitar-se bem das limitações adversas, para «jogar direitinho» e firmar uma superioridade colectiva que julgamos fora de qualquer dúvida.

Palmeira, pela sua habilidade e intencionalidade, e Mário, pelo seu inexcedível estoicismo, justificaram menção à parte.

Acompanharam-nos bem, no entanto, todos os restantes, dentro de uma igualdade francamente positiva se atendermos à importância do desafio.

Adelino Antunes, para estar na 1 Divisão, tem de valer bastante mais, com certeza, do que aquilo que mostrou ontem.

Apesar de disputado em terreno algo difícil. o jogo não lhe ofereceu grandes problemas. Mas eles bem podiam ter surgido, quer técnica, quer disciplinarmente, por culpa exclusiva do árbitro.

No primeiro caso, estiveram além de outros lapsos de menor monta, o golo dos tomarenses e o «penalty» não assinalado, a dois minutos do fim, no tal lance de derrube de Barnabé a Sobral.

No segundo caso, esteve a indiferença com que assistiu (sem uma palavra, sequer, para os prevaricadores) às duas mencionadas reacções de Leitão e à também já referida «entrada» de Manuel José a Mário.

Deste último lance, resultou, até, uma lesão para Fernando, pois Mário, depois de ter recebido assistência fora do terreno, voltou ao jogo com nítidos propósitos de tirar esforço e, logo no primeiro lance em que disputou a bola com Manuel José, atirou-o (com uma carga pelas costas) sobre Fernando, que ficou lesionado e estatelado de novo, para o árbitro errar, pois mandou seguir o jogo e só tardiamente o interrompeu, para que o jogador minhoto fosse, retirado do campo e assistido.

Apenas, «casos», pois, em prejuízo dos minhotos tal como amanhã poderá suceder em prejuízo dos tomarenses.

Simples coincidência ou propensão do árbitro para um «caseirismo» inadmissível?

Queremos acreditar na primeira hipótese..."

Publicado por Leonel Vicente às 09:41 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 02, 2005

FESTIVAL DE TEATRO DE TOMAR

Numa organização dos “Fatias de Cá”, realiza-se no mês de Julho o Festival de Teatro de Tomar 2005.

Do programa fazem parte:

- Sábado, 2 de Julho, na Praça da República, pelas 22h18, “Fatias Fashion” (passagem de modelos utilizados nas diversas peças dos “Fatias de Cá”.

- Sábado, 9 e 16 de Julho, no Convento de Cristo, às 19h18, a apresentação das peças “Rapariga com Brinco de Pérola” e “A Tempestade”.

- Sábado, 23 de Julho, o ESTE – Espaço Teatral da Beira Interior apresenta, no Convento de Cristo, às 19h18 e às 21h18, a peça “Mãe Preta”.

- Sábado e Domingo, dias 30 e 31 de Julho, decorre a “Maratona de Teatro Regional”, nomeadamente com a participação anunciada de Apolo de Peras Ruivas (Ourém), CIRE de Tomar, Fatias de Cá, Grupo de Teatro 1º de Maio de Carregueiros, Grupo de Teatro da Nabantina, Grupo de Teatro de Seiça, Mocidade das Aboboreiras, Ultimacto de Cem Soldos.

Os bilhetes para os espectáculos têm o preço de 25 euros, incluindo refeição.

Publicado por Leonel Vicente às 12:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 01, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (X)

“De moagem deveríamos falar também, mostrando o farmacêutico e político regenerador Torres Pinheiro diversificar a sua iniciativa na fábrica Nabantina, que herdara, em labor já em 1883, e concorrido depois por outro capitão da indústria tomarense que foi, partindo do nada e até falecer em 1924, Mendes Godinho, fundador de vasta empresa familiar, criando a fábrica Portugalia em 1912 (que hoje é estudada em termos valiosos de arqueologia industrial), explorando a central eléctrica em 14 e instalando fábricas de alimentos para gado, cerâmicas, extracção de óleos e placas de madeira prensada, e abrindo banca – e também ou já tomando conta de uma fundição que, nos Lagares d’El Rei, Torres Pinheiro fundara e depois outras e actuais mãos conheceu.

Esta a história industriosa da cidade, animada pela energia hidráulica do seu rio, em rápidos e açudes agenciados. Foi ela a terceira do país, fora Lisboa e Porto, e após Elvas e Vila Real, a ter electrificação, em 1901; falou ao telefone em Abril de 1928 ano que também teria caminho-de-ferro inaugurado.

[…]

Entretanto, cerca de 1840, a edilidade tomarense começara a preocupar-se com o estado e a higiene das ruas e, em 53, e de novo em 69, com o Engenheiro Everard (que lhe daria nome) definiu-se o caminho quinhentista da Levada; em 57, tratou-se da ilha do Mouchão e em 83 saneou-se a Várzea Grande e, sobretudo, estabeleceu-se a ligação da estrada de Tomar a Leiria com a de Lisboa a Coimbra – malograda que fora, em fins do século XVIII, a passagem por Tomar da «Estrada Nova» do Norte, que preferiu cortar para Leiria, abandonando à sua sorte o percurso antigo de Santarém a Coimbra; nessa prejudicial decisão se insistiu ainda em meados de Oitocentos.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 22, 23, 25

Publicado por Leonel Vicente às 08:53 AM | Comentários (0)