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junho 30, 2005

AG DO U. TOMAR SUSPENSA ATÉ 4 DE JULHO

A Assembleia Geral que tem por objecto a eleição dos órgãos sociais do U. Tomar foi suspensa até 4 de Julho, perante a reclamação da actual Direcção, na pessoa do seu presidente, Manuel Graça, de que apenas estaria disponível para se recandidatar se a Câmara Municipal de Tomar desse garantias de apoios, passando nomeadamente pela possibilidade de o clube regressar ao Estádio Municipal (agora com piso sintético), já a partir de Setembro.

Também o antigo presidente do clube, Rui Martinho, mantém diligências no sentido de formar eventualmente uma lista candidata às eleições.

Na Assembleia iniciada no passado dia 16, todos os cenários foram equacionados, inclusivamente a suspensão do futebol senior.

Todos os tomarenses desejarão que o U. Tomar consiga alcançar a melhor solução para o seu futuro que passará necessariamente – a par da recuperação financeira – pelo regresso a níveis competitivos mais condizentes com o seu historial.

Até porque os quadros competitivos da A. F. Santarém se encontram em reestruturação, prevendo-se que a I Divisão Distrital venha a ser disputada, na época 2006-07, em duas séries (Norte e Sul); dessa forma, deverão ser promovidas da II Divisão Distrital na próxima época (2005-06) diversas equipas, de forma a completar o novo quadro da I Divisão.

Publicado por Leonel Vicente às 06:05 PM | Comentários (0)

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (IX)

“Mas Tomar, que não teve prejuízo grave com o terremoto de 1755, recebeu benefício industrial no período pombalino e logo depois, fundindo, em 1771, a antiga fábrica de meias de seda com uma fábrica de chapéus de 59, numa unidade só, e, em 1788, o empreendedor Jácome Ratton aqui implantaria uma fábrica de fiação de algodão por compra da de meias de seda, com elaboração em 94, e associando-se em complicada tramóia a um técnico, francês também, Thimothée Verdier, que deixaria descendência na cidade – embora tenha tido intervenção suspeita durante a primeira invasão francesa, que lhe valeu ser expulso do país, ou «setembrizado».

Ratton já tinha então deixado, há muito, a empresa que, tendo tido ao princípio questões de interesses com a Ordem de Cristo (de que Ratton era cavaleiro), sempre por causa das águas motoras da indústria, em 1816 estava na mão de um italiano, imigrado também, Schiappa Pietra, que teria igualmente descendência nabantina.

[…]

Porque outra indústria se desenvolveria em Tomar, ali se centralizando, e foi a indústria do papel que, no Prado (onde houvera ferrarias antigas, já em 1504) e na Matrena (onde já em 1327 havia moinhos de moer farinha, e em 1595 se dera alvará para fabrico de vidro) tiveram renome, com o mesmo Pietra e seu descendente, por aliança, no sítio, que foi João Casquilho; e ainda em Porto Cavaleiros, em 1876, se produziu papel até aos anos 1920, a certa altura nas mãos de Torres Pinheiro, e mais Marianaia onde houvera lagares da Ordem, numa unidade que o Prado absorveu em 1879 e só fechou em 1971, na crise que sobre esta indústria desabou.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 22

Publicado por Leonel Vicente às 08:52 AM | Comentários (0)

junho 29, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VIII)

“A vinda do rei espanhol de Portugal foi pacífica em Tomar, mesmo se D. António pretendente, que aqui estivera desterrado pelo cardeal-rei seu tio, durante seis meses de 1579, tivesse podido contar com partidários locais, como o seu fiel conde de Vimioso que do pai herdara a alcaidaria da vila.

Ali se reuniram finalmente as cortes que aclamaram D. Filipe I de Portugal, e ali ele foi solenemente jurado, em grandes festejos e arco triunfal de construção efémera na Praça de D. Manuel, à glória de «Philippo Invitissimo», com o duque de Bragança, seu primo direito pelas esposas de ambos, em condestável do reino perdido e assim «herdado, conquistado e comprado»…

Tendo passado dois meses e meio no Convento, o rei Filipe ofereceu aos frades hospedeiros não só protecção, mas o magnífico aqueduto que veremos, além de fazer terminar, pelo seu arquitecto Terzi, obras importantíssimas no Convento, como veremos também.

E durante esses dias de corte, um certo militar, Miguel de Cervantes, veio a Tomar receber ordens de marcha…

[…]

Já foi sob D. Filipe III que se criou a feira de Sta. Iria na vila – que em 1627 assinalou uma vitória cívica contra os freires de Cristo pela posse de certa parte da Várzea Grande, com um padrão que ali se ergueu e ficou.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 20, 21

Publicado por Leonel Vicente às 08:51 AM | Comentários (0)

junho 28, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VII)

“Nos paços henriquinos, necessariamente adaptados, viveu D. Manuel, duque de Beja, administrador da Ordem por sucessão de irmão e pai; e também ao rei que foi, depois ficou devendo Tomar um novo e notável progresso. Ele dedicou-se à vila, corrigiu-lhe o curso do rio, deu-lhe casas de Câmara na Praça de S. João Baptista (que seria de D. Manuel), absorvendo as «boticas» da feira e com pelourinho defronte, e um hospital centralizado da Misericórdia, em 1520, na linha de assistência que sua régia irmã criara – e uma nova carta de foral em 1510.

«Ferrarias» no Prado, para fabrico de armamento, já antes de 1504, lagares e moinhos, celeiros e adegas foram ainda mandados construir por D. Manuel – e «d’El Rei» muitas dessas construções foram, por gratidão e hábito, chamadas pelos tomarenses, até aos dias de hoje. E a importante ponte da vila foi igualmente renovada por ele.

Também então o Convento de Cristo recebeu obras que lhe definiram o estilo dito muito mais tarde «manuelino», e logo na célebre janela que o simboliza.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 16, 17

Publicado por Leonel Vicente às 08:45 AM | Comentários (0)

junho 27, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VI)

“A acção do Infante à frente da Ordem de Cristo foi considerável como todo o poder dos cavaleiros, que aumentou por força de novos estatutos em 1426, e de reformas desejadas, de que foi incumbido em 1434, mas só com aplicação em 1443 e sobretudo 49, D. João Vicente, bispo de Lamego, antigo médico de D. João I. Eram elas conformes aos estatutos da Ordem de Calatrava, modelo que lhe fora, já em 1319, e agora mais imposto.

Grandes obras no castelo-convento foram levadas a cabo, e ali o Infante residiu até se fixar, já em anos 40, no Algarve, na chamada Vila do Infante, desaparecida e de hipotética localização, onde morreria em 1460 (mas em 1451, por exemplo, estava em Tomar), deixando em testamento à Ordem as suas ilhas açoreanas de S. Miguel e de Sta. Maria que, como o restante arquipélago, recebera do rei, e indo as outras para a coroa ou para o sobrinho herdeiro.

Paços de residência no castelo, outros, possíveis, ditos da Ribeira, existentes à Várzea Grande, onde se julga que veio a morrer o Rei D. Duarte em 1438, abrilhantaram a vida da povoação que muitas figuras henriquinas atravessaram.

Ali D. Henrique realizou grandes obras civis, adaptando a ponte, fundando Estaus de novidade urbana, como em Lisboa fizera o irmão D. Pedro, e aqui para uso de visitantes e criadagem dos Mestres e dos cavaleiros, e também de feirantes, já que, em 1420, uma feira foi criada, a seu pedido, em Tomar, por autorização régia e com privilégios então únicos no país (Virgínia Rau, 1960).”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 16

Publicado por Leonel Vicente às 08:50 AM | Comentários (0)

junho 26, 2005

"O TEMPLÁRIO" (23.06.05) / "CIDADE DE TOMAR" (24.06.05)

O Templário-23-06-05 CidadeTomar-24-06-05

Publicado por Leonel Vicente às 08:40 PM | Comentários (1)

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (IV)

Crónica publicada em "A BOLA", em 26 de Maio de 1969

"SPORTING, 2 - UNIÃO DE TOMAR, 0
DAMAS NÃO EXECUTOU NEM UMA ÚNICA DEFESA

Estádio de Alvalade.

Muito público («mais de meia casa»). Tarde amena e soalhenta. Relvado em boas condições.

Árbitro: Rosa Nunes, de Faro.

SPORTING — Damas, Pedro Gomes, Armando, Alexandre Baptista e Hilário; José Morais e Pedras; Chico, Lourenço, Màrinho e Oliveira Duarte.

UNIÃO DE TOMAR — Conhé; Kiki, Caló, Faustino e Barnabé; Ferreira Pinto, Cláudio e Santos; Leitão, Alberto e Totoi.

Lourenço esteve em campo escassos sete minutos. Vítima de uma lombalgia, deu lugar a Gonçalves, que entrou para a posição de José Morais, avançando este para o do companheiro lesionado. No começo do segundo tempo, Santos foi substituído. Oito minutos após o recomeço, Leitão foi expulso. Aos 18 minutos da segunda parte, Totoi foi substituído por Leitão.

Ao intervalo, 1-0.

Faltavam dois minutos para o termo da primeira parte, quando o Sporting obteve o seu primeiro golo. No flanco esquerdo do ataque «leonino», José Morais esgueirou-se com a bola até próximo da linha final de onde executou um centro primoroso, por alto para a grande área tomarense. Em dificuldade, Conhé limitou-se a desviar a bola, ligeiramente, com a palma da mão, acabando por colocá-la nos pés de CHICO, que, com um pequeno toque, a enviou para dentro das redes unionistas.

Aos dois minutos do segundo tempo, 2-0.

Pedro Gomes, a jogar à boa maneira dos defesas laterais modernos, executou um centro, por alto. Antecipando-se a Conhé, PEDRAS «voou», e, de cabeça, marcou um golo espectacular.

Pela primeira vez, esta época, o Sporting venceu a equipa do União de Tomar.

O acontecimento só merece registo por isso mesmo, por ter acontecido que, nos dois encontros do «Nacional», a equipa «leonina» não tivesse logrado bater o grupo tomarense, que, não obstante a sua meritória carreira na prova maior do futebol português, está muito longe de poder comparar-se, seja qual for o ângulo de apreciação ao seu poderoso adversário lisboeta.

O triunfo sportinguista de ontem teve, pois, o cunho da mais absoluta normalidade. Verdadeiramente, não se trata de uma rectificação, porque para vencer o União de Tomar, o Sporting nem precisa de rectificar o quer que seja. A categoria individual dos seus jogadores, a capacidade global do seu conjunto, a força psicológica da sua grandeza histórica no ângulo do futebol nacional e internacional, têm de constituir, habitualmente argumentos e factores decisivos na luta entre os dois adversários de ontem, em Alvalade.

Com efeito os «leões» não careceram, sequer de realizar aquilo a que soe chamar-se uma grande exibição, para alcançarem a vitória.

E, todavia, o resultado não foi assim tão expressivo que exclua uma certa sugestão de dificuldade, especialmente para quem, não tendo assistido ao encontro, estivesse à espera de uma diferença mais expressiva.

Terá sido assim? Terá o Sporting passado por tantos embaraços e dificuldades como a vantagem (relativamente escassa) parece sugerir?

Em nossa opinião, não, embora devamos acrescentar que nós próprio esperávamos bastante menos do União de Tomar, que se dizia «estar de gatas» nesta fase final da época, e bastante mais da equipa sportinguista, que nos garantiam encontram-se em «forma» transcendente. E pensamos que não, que o resultado não significa aquilo que parece sugerir, por várias razões.

Em primeiro lugar, porque o Sporting marcou «apenas» dois golos, mas construiu e desperdiçou oportunidades para muitos outros, na linha, aliás de um «mau hábito» que nas últimas épocas, tem vindo a afirmar-se como uma deplorável tradição do ataque «leonino».

Em segundo lugar, porque a fraca produtividade dos dianteiros lisboetas não foi, apenas, mera consequência de erros e desacertos dos jogadores «leoninos», no capitulo de remate ao golo, pois importa esclarecer, desde já, que a equipa nabantina nos deu a sensação de não pensar noutra coisa que não fosse o objectivo de... «perder por poucos». E sabe-se como é difícil para qualquer equipa, quando topa pela frente com um adversário mentalizado e preparado para aquele fim, marcar muitos golos.

Enfim e em suma, este resultado vale pelo que vale e não por aquilo que possa sugerir a quem não presenciou a partida. O Sporting não se «rectificou» nem se transcendeu, ao vencer o União de Tomar por dois golos de diferença; a equipa tomarense não se «desmentiu» nem se diminuiu, mesmo em relação ao que lograra no decurso do «Nacional», ao sair derrotada de Alvalade.

«Perder, sim... mas devagar»

Temos escrito, várias vezes, que os esforços de uma equipa no sentido de evitar uma derrota copiosa são tão legítimos e tão respeitáveis como os daquela que concentram todas as suas energias e faculdades no objectivo de alcançar uma vitória expressiva, desde que, evidentemente, os medos utilizados para esse fim não infrinjam as regras do jogo e os preceitos da boa ética desportiva.

É claro que, num encontro com as características daquele a que nos referimos, em que o resultado deve ser encarado como se fosse, apenas, o da primeira parte de uma partida de 180 minutos, a legitimidade e a justificação de tais esforços são ainda maiores.

Sob esse aspecto, portanto, não parece que haja algo a censurar no comportamento do União de Tomar, que, com o pensamento da segunda «mão», em que poderia (e poderá) arriscar tudo por tudo, veio a Alvalade, não para tentar o triunfo, mas apenas para não comprometer, em excessos de audácia e de imprudência, as suas (magras) probabilidades futuras. Para a equipa nabantina, o essencial era que o encontro do próximo domingo ainda «valesse a pena».

Se com os dois golos de desvantagem, esse objectivo foi alcançado, é o que nos parece muito duvidoso, sem que isso invalide, todavia, a oportunidade e o bom fundamento das cautelas tomadas na partida de Alvalade.

De resto, também sob o ponto de vista estritamente desportivo, os tomarenses não incorreram, salvo duas ou três excepções lamentáveis uma das quais, a mais grave, passou impune, em atitudes que merecessem reparo ou reprovação.

Não deixa de ser curioso e digno de realce o facto de o União, embora fidelíssimo ao seu propósito de «perder, sim, mas devagar», haver adoptado um dispositivo de jogo algo diferente do que é habitual nestes casas. Efectivamente, os visitantes não procuraram defender-se pela colocação de uma cerrada cortina defensiva nas imediações da sua grande área, mas sim pelo «povoamento» do seu meio-campo, confiado a um grupo de quatro ou cinco jogadores nabantinos.

Que pretendia o União com tal estratagema, táctico? Em primeiro lugar, evitar que os centrocampistas adversários dispusessem do tempo e dos espaços necessários à «montagem» e ao lançamento das suas jogadas de ataque, na convicção (lógica) de que, secada a fonte, seca ficaria a corrente das avançadas sportinguistas: em segundo lugar, ter sempre à mão os reforços indispensáveis à segurança da sua defesa, nos momentos em que, rota e ultrapassada «primeira linha» (a linha do meio-campo), se tornasse necessário conter o adversário na «última barreira.

Forçoso é reconhecer que os planos da equipa visitante alcançaram relativo êxito. Com efeito, não só o meio-campo do Sporting sentiu inelutáveis dificuldades para cumprir as missões que lhe competiam, faltando ao ataque com os «fornecimentos» e apoios que deveriam ser da sua iniciativa e responsabilidade, como também os dianteiros lisboetas, atingida a zona mais próxima das balizas tomarenses, raramente puderam gozar da liberdade de movimentos indispensáveis a uma concretização adequada aos lances de remate ao golo.

Por outras palavras: o Sporting foi, pelo menos até ao intervalo, uma equipa pouco e mal organizada a meio-campo como força de ataque, viu-se constrangida a «viver» dos rasgos de talento e de iniciativa pessoal deste ou daquele jogador em especial de Oliveira Duarte cuja «forma», depois de vários anos de árdua permanência em África temos de considerar verdadeiramente sensacional.

Tudo isto, ou quase tudo foi, afinal, em nossa opinião, consequência do dispositivo táctico adoptado pelos Jogadores do União e da maneira hábil e delicada como eles souberam executado verdade, por outro lado, que o Sporting, não obstante todos os contras e dificuldade referidas, esteve, mais de uma vez, com o golo nos pés de um ou de outro dos seus avançados (Marinho, José Morais, Chico), antes de, no penúltimo minuto da primeira parte, haver logrado «adiantar-se no marcador». Essas foram, porém, as excepções que confirmavam a regra.

Desta sorte, ao atingir-se o intervalo, com os «leões» a vencerem por 1-0, poderia afirmar-se, com propriedade, que o União estava a obter relativo êxito no seu plano de «perder, sim, mas devagar».

«Goleada» prometida...e falhada

Ficámos com a sensação de que só o facto de o primeiro golo do Sporting ter aparecido a dois minutos do Intervalo impediria que o União de Tomar se deixasse perturbar e desmoronar pelas consequências psicológicas, que pensávamos, dele teriam, forçosamente, de resultar.
Ora aconteceu que os «leões» alcançaram o segundo tento quando iam decorridos apenas dois minutas da segunda parte. Foi um golo bonito, desde o desenho do lance, a cargo de Pedro Gomes, até à sua conclusão, da autoria de Pedras.

Cremos que, a partir daí, se terá generalizado na assistência a ideia de que o Sporting ia partir, finalmente, para a «goleada». Nós próprios partilhámos dessa opinião, que tínhamos por tanto lógica e fundamentada quanto era certo que os jogadores tomarenses já davam nessa altura, iniludíveis sintomas de cansaço físico. O União, com efeito, já não era (nem voltaria a sê-lo) a mesma equipa da primeira parte.

O seu meio-campo, de um modo especial, perdera a elasticidade de movimentos e a capacidade de recuperação, que, antes, lhe haviam permitido desdobrar-se, rápida e constantemente, entre a tarefa da marcação aos centro-campista adversários e o encargo de correr, nos momentos difíceis, em auxílio dos seus companheiros da defesa.

Na impossibilidade de cumprir as duas missões, os jogadores visitantes desse sector decidiram (ou foram forçados a isso) reservar as energias de que ainda dispunham para a segunda, isto é, para darem apoio aos colegas do reduto defensivo ainda e sempre na mira de perderem o jogo, sim, mas pela diferença mínima possível.

É fácil de imaginar o que se passou depois. A bola, que, na primeira parte, já se demorava por longos períodos no meio-campo defendido pelo União, quase não voltou a sair dele, até ao fim do encontro.

A expulsão de Leitão, oito minutos após o intervalo, mais viera agravar as dificuldades da equipa visitante, até porque os próprios defesas «leoninos», libertos das preocupações (relativas) que lhes dava a proximidade daquele avançado nabantino, chegaram a «estabelecer-se com armas e bagagens» para lá da linha divisória central, tornando ainda mais premente e avassaladora a ofensiva da equipa lisboeta.

O facto registado no título desta crónica dá, aliás, uma ideia exacta da forma como decorreu o jogo, de um modo especial o segundo tempo: «Damas não executou, nem uma só defesa!» Aí está um pormenor bem significativo. Em muitos anos de futebol, não nos lembramos de ter visto um guarda-redes limitar a sua actividade a receber passes dos companheiros e a executar pontapés de saída. Aconteceu ontem, em Alvalade.

Apesar de tudo o que atrás se refere, o Sporting não logrou aumentar o seu avanço de dois golos. Porquê? Porque o União de Tomar contou com um guarda-redes extremamente seguro, brilhante e feliz; porque, em frente das balizas deste, de «sofreguidão», que o leva a querer executar a jogada com maior rapidez do que aquela com que pode pensar. Não andem as pernas mais depressa do que o radocínio. A velocidade é uma das suas grandes armas. Conserve-a mas colocando-a, sempre, ao serviço das necessidades de cada lance e momento.

Sensacional, para nós, que ainda não o tínhamos visto jogar desde o seu regresso de África, a exibição de Oliveira Duarte. Depois de alguns anos de ausência, chega a Lisboa, regressa à sua equipa e torna-se, logo, o melhor avançado do Sporting. É um ambidestro notável, um género de extremo que fazia falta ao seu clube e ao próprio futebol nacional.

Lourenço esteve em campo seis ou sete minutos. E foi pena (para ele e para a sua equipa), pois temos para nós que, em especial durante a primeira parte, a sua presença no eixo do ataque «leonino» poderia ter ficado assinalada por mais um golo.

A equipa tomarense valeu, especialmente, pelo seu espírito de companheirismo, pela sua homogeneidade, pela fidelidade demonstrada na execução do plano que lhe havia sido confiado. Tal não impede, todavia, que se faça uma referência especialíssima à actuação de Conhé, supremo responsável pela «magreza» do triunfo sportinguista.

Acrescentaremos apenas mais duas notas pessoais: em referência a Santos, para verberarmos a sua agressão (sem bola e sem razão) a Oliveira Duarte; em relação a Leitão, para sabido ou estranharmos põe ao serviço da equipa as suas magnificas aptidões de futebolista. Foi o único e desnecessário «solista» do União de Tomar.

O Sr. Rosa Nunes, quando errou, foi por iniciativa ou por omissão dos seus auxiliares. No primeiro caso, marcando um ou outro «off-side» em desfavor do Sporting, sem motivo para isso, deixando sem o devido castigo uma agressão a Oliveira Duarte, facto que o árbitro não deve ter visto, por estar longe e de costas voltadas para o incidente, mas do qual julgamos ter-se apercebido o seu auxiliar. Quanto à expulsão de Leitão, não temos dúvida em que este entrou em falta sobre Armando, nos pareceu esta gravidade que o Sr. Rosa Nunes lhe atribuiu."

ALFREDO FARINHA

Publicado por Leonel Vicente às 11:13 AM | Comentários (0)

junho 25, 2005

SARAU GÍMNICO - GINÁSIO CLUBE TOMAR

Também hoje, pelas 21h30, realiza-se na Praça da República o Sarau Gímnico comemorativo do 10º aniversário do Ginásio Clube de Tomar.

Publicado por Leonel Vicente às 10:52 AM | Comentários (0)

"A ALMA E A GENTE" - TEMPLÁRIOS

Hoje, n'A Dois, pelas 20h45, o programa "A Alma e a Gente", de José Hermano Saraiva, é dedicado aos Templários.

Publicado por Leonel Vicente às 09:35 AM | Comentários (0)

junho 24, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (V)

“A povoação iria desde então crescendo, apesar da crise do fim do século, passava em breve para fora das muralhas, na «Vila de Baixo», e Gregório IX daria indulgências a quem visitasse Sta. Maria de Tomar, no segundo quartel de Duzentos. S. João Baptista foi então edificado e na segunda metade do século ter-se-á aberto, entre olivais, a Corredoura, ainda hoje a grande rua tomarense.

A vila vinha então, em importância, logo após Santarém e Leiria, a par de Coimbra e Abrantes, à frente de Ourém, Pombal, Torres Novas, Montemor (M. S. A. Conde, 1988).

Sucederam-se vinte e três Mestres na poderosa Ordem que ia somando terras e bens, na região de Soure e Pombal, que fora seu anterior território, na de Castelo Branco e Idanha, até ao Fundão e nesta de Tomar, com limites a sul na Quinta da Cardiga e no Castelo de Almourol – ao todo perto de 3700 quilómetros quadrados de domínio (F. Franco Nogueira, 1991).

Até que o Templo foi levado à extinção e à liquidação por reforma da Ordem no grande movimento internacional determinado por Filipe, o Belo, de França e apoiado pelo papado, a que D. Dinis naturalmente obedeceu – mas ressalvando a sua estrutura em 1319, numa nova Milícia ou Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo que, depois de ocupar Castro Daire e Castelo Branco e com outras indecisões, se sediou finalmente e de novo em Tomar, em 1357, a pedido dos próprios freires que se queriam então menos expostos a encontros com os Mouros – se acreditarmos no que nos diz Frei Bernardo de Brito na Monarquia Lusitana.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 13

Publicado por Leonel Vicente às 08:49 AM | Comentários (0)

junho 23, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (IV)

“Ruínas que houvesse no alto escolhido, ou perto dele, que deixaram vestígios arqueológicos nas novas construções, elas foram remodeladas com três longas cintas de muralhas atorreadas que havemos de ver.

A construção iniciou-se em 1160, no 1º dia de Março (conforme reza lápide no sítio conservada), no ano seguinte à doação régia que ressalvou importantes direitos espirituais da Ordem, em situação de Nullis Diocesis, isto é, com directa sujeição ao Papa, que seria bispo das suas terras – e foi Adriano IV, e depois Urbano III, Inocêncio III e Honório III, em verificações sucessivas, até 1217.

Foi esse acerto objecto de difícil trato com o bispo de Lisboa, logo em 1159, que exigia ali jurisdição sua, sobre aquela que a Santarém já tinha pertencido e que logo em 1147 Afonso Henriques passara ao Templo. A autoridade lograda (e que só seria eclesiasticamente anulada em 1882) permitiu a Gualdim Pais, com seu talento administrativo, povoar rapidamente as terras que o castelo protegia, com gente vinda do Norte do país novo, dando aos seus habitantes um foral logo em 1162, inspirado no de Coimbra, e completado, doze anos depois, com definições jurídicas de carácter criminal, ao mesmo tempo que fazia edificar a Igreja de Sta. Maria do Olival, ou de Tomar, provavelmente aproveitando ruínas beneditinas; seria ela bailia, casa capitular e panteão dos Mestres templários, na outra margem do rio, em antigo sítio de Sellium que fez dar à igreja também o nome popular de Sta. Maria do Selho, pelos séculos XII e XIII.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 12, 13

Publicado por Leonel Vicente às 08:59 AM | Comentários (0)

junho 22, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (III)

“Rio e cabeço fronteiro foram certamente razões que determinaram D. Gualdim Pais a escolher o sítio para nele finalmente sediar a Ordem dos Templários, de que era o 4º ou 6º Mestre nacional, conforme a contagem, após ter sido comendador dela em Braga, e de nas suas hostes se ter batido na Palestina, durante cinco ou nove anos (discute-se o prazo) – rico – homem de Entre-Douro-e-Minho, da nobre estirpe dos Ramirões, criado junto do próprio rei, ao que se julga, e por ele armado cavaleiro em Ourique, como se julga também.

A opção de Tomar veio depois de o Mestre ter recebido as ruínas do castelo de Ceras (Castrum Caesaris, se supõe), junto à ribeira deste nome e, depois, do lugar de Alviobeira, a duas léguas para norte-nordeste. Impunha-se fundar ali, ou por ali, um forte castelo que, com outros em vizinhança, na Cardiga ou no ilhéu de Almourol, defendesse o acesso de Coimbra, pelo vale que subia de Santarém: seria ele em Ceras ou em Tomar, considerado seu território, por razões exactas que se ignoram, mas nas quais o rio muito provavelmente terá influído. Outras não deixam, todavia, de ser evocadas, de muito diferente categoria, ligadas à vida lendária do Templo.

E seria assim que o sítio de Tomar se verifica ser ponto de cruzamento de acreditadas forças telúricas, caras aos Templários, e encontra-se na linha que, em relação ao Meridiano de Paris, forma um ângulo de 34º, significativo nos esquemas das construções da Ordem, correspondendo à diagonal da relação 2/3 que se observa na constelação de Gémeos, signo templário por excelência.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 11, 12

Publicado por Leonel Vicente às 08:58 AM | Comentários (0)

junho 21, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (II)

“Discutido foi também o nome do rio: Nabanus, que deu verosimilmente Nabância, local senão região que, como Namba, parece vir de Nava, nome do território ou pagus por ali definido e documentado, quando da delimitação (divísio) dos bispados de Coimbra, Lisboa e Guarda (aliás, então, Idanha), em famoso documento do século VII, em topónimo pré-romano («talvez etrusco»), aventou-se); ou Tomar, por imaginosa origem árabe, que estaria em «Tamaramá», significando água com gosto de tâmara, doce por consequência.

É ideia, ao que parece, do Pe. Carvalho da Costa em sua Corografia… de 1712, apoiando-se na citação de terras «entre os rios Zêzere, Tomar (que seria, provavelmente, “de Tomar”) e ribeira de Bezelga» e em outros documentos de leitura incerta; e também um «portu(m) de Thomar» surge num documento já de 1159 que tanto pode referir curso de água como local de terra à sua beira.

Mas como local é iniludivelmente designado, quatro anos mais tarde, por D. Gualdim Pais ao dar foro aos povoadores pioneiros de um campo já certamente assim conhecido por ser referido na «Chronica Gothorum» da Portugaliae Monumenta Historica no passo que cita a derrota ali («in Thomar») sofrida pelos cristãos, em 1137. É de sítio de batalha e de povoação que, num caso e noutro, se trata – e não deixará de haver confusão entre o rio, documentado como Nabão pelo menos desde 1254, e a povoação fixada no nome de Thomar (Vieira Guimarães, 1927) – sem esquecer, porém, que, em 1465, um viajante estrangeiro, que Camilo traduziu, achou ser «anónimo» o rio que «regava» a vila, sendo apenas «o rio de Tomar».”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 10

Publicado por Leonel Vicente às 08:56 AM | Comentários (0)

junho 20, 2005

“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (I)

“Nascida cristã de Reconquista junto do rio Nabão e tendo memória de um sítio romano de anterior designação, com passagem e estada de bárbaros, Tomar tem em sua história precedente três situações sabidas da ocupação do território muito disputado da Lusitânia, entre o Mondego e o Tejo.

Certo é que no conventus scalabitanus da jurisdição romana e junto e a meio do troço da estrada entre Olisipo e Bracara, que ligava Scalabis a Conimbriga, existia, mencionado no itinerário de Antonino, do século III, o município de Sellium, com «prova evidente» (J. Alarcão, 1987) de importantes achados arqueológicos (uma das três cabeças de Augusto encontradas em Portugal), além da Igreja de Santa Maria do Olival, junto ao sítio de Marmelais, na margem esquerda do rio. Mais do que villae rusticae, um fórum aponta para local proto-urbano de relevo.

Nabância, fundada primordialmente pelos Túrdulos em 480 a. C. e, seiscentos anos depois, pelos romanos de Trajano, na ideia simplista transmitida por Pinho Leal em 1873, foi, porém, nome que, tirado da designação do rio, perdurou na mitologia local, muito estimada (Vieira Guimarães, 1927), sobrepondo-se ao de Sellium, Sélio já, dos Suevos de c. 570, e mais ou menos usado pelos Visigodos que dominaram aqueles, poucos anos depois – afinal a mesma povoação com dois nomes diferentes, em diferentes e sucessivas épocas, com datas de fundação e denominação de impossível acerto. Tem sido isso tema de longa discussão mais ou menos erudita, que hoje pode considerar-se fixada.”

Tomar - «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 9

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TOMAR - "THOMAR REVISITED"

Tomar, fundada com o seu castelo pelos Templários em 1160, foi mais tarde sede da Ordem de Cristo que o Infante D. Henrique e o Rei D. Manuel administraram, urbanizando-a e fundando importantes monumentos, como o célebre Convento – que foi classificado no Património de Interesse Universal pela UNESCO, em 1980. D. João III e Filipe II de Espanha ali realizaram importantes obras. As belezas da paisagem estremenha que rodeia Tomar, animada pelo rio Nabão, que a atravessa, acrescentam ao encanto desta cidade, que, preservando como poucas o seu centro histórico, conhece franco desenvolvimento.”

É desta forma que é introduzida a obra de José-Augusto França, “Tomar - «Thomar Revisited», publicada pela Editorial Presença, integrando a colecção “Cidades e Vilas de Portugal”, que nos proporciona uma viagem pela história e património arquitectónico, artístico e cultural de Tomar.

Nos próximos dias, por aqui apresentarei alguns excertos dessa obra, contando um pouco da história de Tomar.

Publicado por Leonel Vicente às 08:54 AM | Comentários (0)

junho 19, 2005

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (III)

Crónica publicada em "A BOLA", em 28 de Abril de 1969 (1ª Página)

"UNIÃO DE TOMAR, 0 - BENFICA, 4
«DOUTORAMENTO» EM TOMAR DE UM CAMPEÃO INDISCUTÍVEL

Estádio Municipal de Tomar.

Árbitro: Mário Alves, de Beja.

Juizes de linha: Joaquim Rosa (bancada) e Jorge Porta Nova

U. DE TOMAR - Arsénio (0); Kiki (2), Caló (2), Faustino (1) e Barnabé (1); Bilreiro (1), Ferreira Pinto, «cap.» (2) e Cláudio (2); Lecas (1) Leitão (1) e Alberto (2).

BENFICA - José Henrique (2); Adolfo (2), Humberto Coelho 13), Zeca 13) e Jacinto (2): Toni (1), Coluna, «cap.» (2) e Simões (2); José Augusto (2), Jaime Graça (3) e Eusébio (3).

Resultado da 1ª parte: 0-3.

Aos 6 minutos: 0-1. Contra-ataque do Benfica pela esquerda. Jaime Graça aproveitou um ressalto da bola e colocou-a portentosamente à frente de Eusébio, à custa de uma viragem espectacular feita com um toque com a parte exterior do pé direito. O guarda-redes tomarense Arsénio saiu, a tentar evitar o golo, mas Eusébio não perdeu a ocasião tocando o esférico, na «hora h», para a baliza deserta.

Aos 24 minutos: 0-2. «Canto» marcado, no lado esquerdo, por Simões. Arsénio saiu, tentou uma entrada a soco mas «falhou a bola» e JOSÉ AUGUSTO, muito oportuno, aplicou uma cabeça que fez entrar o esférico junto ao poste contrário, sem qualquer hipótese para uma intervenção «in-extremis» dos defesas de Tomar.

Aos 38 minutos: 0-3. Novo «canto» contra o conjunto tomarense desta vez do lado direito, marcado por Toni. A bola, chutada com o pé contrário, esbarrou na barra, Arsénio ficou «a assistir» e SIMÕES, na esquerda, com todo o jeito de um «centro», aplicou um pontapé pouco violento mas muito intencional que fez entrar o esférico junto ao poste esquerdo da baliza de Arsénio.

Resultado da 2ª parte: 0-1.

Depois do intervalo registou-se uma substituição na equipa do União de Tomar: Lecas cedeu o seu lugar a Totoi (1).

Aos 18 minutos: 0-4. Contra-ataque do Benfica e lançamento longo a José Augusto que correu pelo seu flanco para, quando estava em condições de rematar acorrer FAUSTINO que, em face do perigo teve um toque infeliz introduzindo a bola na sua própria baliza.

Aos 19 minutos: substituição na equipa «encarnada» saiu Toni e entrou Praia (1).

Aos 24 minutos: nova alteração no conjunto tomarense Santos (1) substituiu Bilreiro.

Aos 28 minutos: última alteração na turma benfiquista, saiu Simões e entrou Raul Águas (1).

Resultado final: 0-4.

Não. Ainda não é desta vez que o Benfica vai ter o trabalho de mandar arrancar das mangas esquerdas das suas gloriosas camisolas os escudos nacionais que identificam nos campos de todo o mundo o campeão de Portugal.

A «salva» deste ano, marcada de algumas hesitações de alguns «hiatos», de alguns «casos», enfim, de certas «coisinhas» que chegaram a pôr em dúvida, no conceito do público, a categoria da equipa benfiquista, não terá sido famosa e muita e boa gente terá pensado que finalmente, íamos ter um novo campeão, facto que de algum modo encerraria (ou interromperia) o «encarnado» que há mais de dez anos, se abriu no ambiente do «association» lusitano.

Afinal, a realidade aí está em toda a sua magnífica plenitude o Benfica acaba de conquistar o seu terceiro título nacional consecutivo oitavo das últimas dez épocas.

Para isso era preciso que, ontem no Estádio Municipal de Tomar, na derradeira jornada da prova conquistasse, ao menos um «pontinho» que seria, sem mais problemas ou condicionalismos, o segredo do êxito.

Pois... o que aconteceu neste domingo de Primavera que levou até as românticas margens do Nabão uma multidão alegre e rumorejante como nunca se vira por ali, em nenhum tempo ou oportunidade?

Apenas isto: que o campeão, em vez de se impor ao ritmo que se lhe exigia e que alguns tinham como problemático mais por «via matemática» do que por «via lógica», aplicou ao seu brioso e «arrumadinho» adversário uma derrota de proporções inusitadas nada menos do que 4-0, o maior desaire sofrido pelo conjunto nabantino neste campeonato.

Ninguém esperaria tal coisa, assim, tão clara e categórica, mas a verdade é que os milhares de pessoas que assistiram ao encontro não as que estiveram, realmente, no recinto desportivo tomarense mais as que do seu lugar, às vezes no mais instável dos equilíbrios, descontinuaram durante a hora e meia alguns metros quadrados do terreno do jogo têm de chegar à conclusão de que afinal, não aconteceu nada do outro mundo...

Não é que o Benfica tivesse, em jogo-jogado, visto do ponto de vista quantitativo, como está inculcado no sentido do espectador comum realizado uma exibição... para 4-0. Não, isso não. O que aconteceu foi que, na hora da experiência, na hora da sabedoria, na hora da astúcia, na hora da serenidade, na hora de clarividência, a turma «encarnada» fez uma cabal demonstração do seu muito valor, sem evidenciar num durante um segundo sequer, a «tremideira» típica das equipas «irrealizadas», chamadas a disputar, num ambiente de nervosismo e de «Suspense», um angustiante e dramático «jogo decisivo».

Chegou a ter qualquer coisa de impressionante o modo natural, sereno, rotineiro como o Benfica, ao primeiro apito do árbitro, se entregou à formalidade de disputar e de ganhar um jogo de que dependia um título.

Não foi o que se pode chamar frieza. Não. Foi, acima, de tudo, a «senhoria» de uma equipa absolutamente consciente do seu valor que, na «hora H», se atirou a realizar a tarefa que se lhe exigia não de um modo afobado, «cego», nervoso angustiante, mas de uma maneira certa, clara, fácil, segura.

E isto, acredite-se nada tem (e nada teve) com o corre ou não correr, o suar ou não suar, o lutar ou não lutar, o «esfarpar-se» ou não se «esfarrapar». Foi, mais do que qualquer outra coisa, um problema de controle primeiro de «self-controle», quer dizer, de pleno domínio das próprias reacções, depois do controle do jogo, que era assim a modos que uma coisa que era preciso realizar sem uma hesitação nem uma ténue amostra de... medo.

A simplicidade com que o Benfica controlou as acções do jogo quando, depois de uma verdadeira «gincana» por meio do público que extravasou dos seus lugares até às linhas limites do rectângulo do jogo começou a pôr tijolo em cima de tijolo, até à construção da vitória, convenceu tudo e todos do seu valor potencial que é muito, mesmo quando algumas das suas mais categorizadas unidades não estão na plenitude da sua «forma» ou condição. Era fácil perante um União de Tomar digníssimo que como lhe competia, se bateu valentemente, mas que não pôde disfarçar.

O jogo veio dar um ar de frescura, à 20ª jornada do campeonato, quando a grande «erosão» da prova toca a todos e, claramente, muito mais a uma equipa estreante nestas andanças, como é o caso do conjunto dirigido por Oscar Tellechea?

Agora pode parecer. Mas não, não era. Vamos mais longe: o que de algum modo tornou fácil para o Benfica este desafio de Tomar, já não dizemos quanto a números outro factor o condicionou neste aspecto, como veremos lá mais para a frente... mas em relação ao «final» do resultado, foi a desconcertante naturalidade com que os benfiquistas chegaram ali, arregaçaram as mangas e desataram a jogar, «dizendo» uns para os outros: «É, então, preciso ganhar? Pois vamos a isso, sem precipitações nem receios».

Parecendo que não, isto desconcerta um adversário que pensaria ir encontrar pela frente uma equipa angustiada, nervosa, perturbada, assim a modos que a tremer de medo do «papão tomarense».

O resto foi, tão só, jogar. E jogar inteligentemente, agora lento e «técnico», de um jeito esfriante e entorpecente, daqui a bocado rápido e corrido, de uma forma altamente perturbante por tudo e até pela surpresa que envolvia para quem se sentia «embalado» em certa toada dolente, meio romântica...

Diz-se muitas vezes que um golo cedo acontece o que, de certo modo quer dizer que ele surge dissociado do jogo, por aquelas artes de berliques e berloques que se consideram, às vezes, inerentes ao futebol.

Neste curioso desafio de Tomar não foi assim, o Benfica marcou logo a seis minutos de jogo mas «aquele golo» (ou outro qualquer...) dizia já alguma coisa primeira, sobre o modo como a turma lisboeta encarou o desafio e, depois sobre a demonstração de categoria que iria realizar sobre o rectângulo, tristemente pelado, do Estádio de Tomar.

Desprezando, inclusive, a portentosa capacidade de execução dos jogadores que o forjaram (Jaime Graça e Eusébio), aquele golo n.º 1 ficaria como a mais cabal afirmação da idoneidade técnico-táctica do conjunto de Otto Glória.

Talvez o pormenor tivesse passado despercebido a muita gente ou, então, fosse considerado uma simples «nota magazinesca» nesta hora de «futebol polivalente» para que estamos a caminhar a passos largos. Mas o golo inicial, da autoria de Eusébio, teve, na base, um «golpe táctico» marcado de surpresa e de imprevisto e, por isso, menos bem detectado (e detectável) pela muito consciente e, repetimos «arumadinha» equipa de Tomar. Foi a colocação adiantada de Jaime Graça (aliás tão denunciada, que o jogador até vestiu a camisola nº 9...) que permitiu o «baralhamento» inicial da defesa da «casa» que, decididamente não contava com aquilo.

De facto, o «4-3-3» do Benfica, constantemente reversível e, na hora do ataque, facilmente transformável em «4-2-4» pela integração de Simões nas ofensivas não era, com certeza, o que a turma tomarense esperava, Jaime Graça a fazer «dupla» com Eusébio, em alternância posicional com José Augusto.

Enquanto os homens de Tomar não «descobriram» a coisa, que, aliás, não tinha nada de coisa do outro mundo aconteceu o golo fundamental o que abria o caminho e depois amigos, marcado um golo pela equipa a que basta um empate, assobiem-lhe às botas, pois só o «stato-quo» de um zero-zero discutido taco-a-taco poderia proporcionar à turma tomarense o «segundo fôlego» típico das horas de empolamento, já tão difíceis em Abril, com oito meses de campeonato em cima...

O Benfica era melhor. O Benfica correu. O Benfica soube aplicar um golpe táctico inteligente e adequado. Que mais era preciso para que a equipa de Tomar ficasse «baralhada» a ponto de, muito pouco tempo depois de ter começado o jogo, tomasse para si, ainda que sem quebra de uma elogiável aplicação e de uma constante teimosia, um papel marcadamente subalterno e, portanto, inglório?

Foi exactamente isso o que aconteceu. À conta de sucessivos «safanões» no jogo, feitos com a super-técnica de alguns jogadores verdadeiramente fora-de-série, a equipa «encarnada» bem depressa disse às vinte e tal mil pessoas que, milagrosamente, tinham cabido no Estádio de Tomar que não havia nada a fazer no sentido de evitar a sua vitória, uma vitória mais ou menos fácil, desenhada seis minutos depois de ter começado o jogo...

Mas houve mais factores a dizerem ao público que, por mais que «estrebuchasse» (e «estrebuchou») a turma de Tomar, lhe era pràticamente impossível pôr em xeque o Benfica.

Entre esses factores, dois atingiram especial relevância:

A forma eficiente, serena, assisada, regular, metronómica como jogou a defesa do Benfica em face do ataque adversário um ataque híbrido, agora de «toquezinhos» sem progressão, daqui a pouco de lançamentos longos, típicos do cediço futebol dos campos pelados.

O árbitro volta a falar com a polícia. Depois é um fiscal-de-linha que vai inspecionar.

Finalmente, já alguns minutos depois da hora, chega-se à conclusão de que está tudo em ordem. E o jogo começa mesmo.

Os jogadores do Benfica tocam na bola e começam a ouvir-se as rocas e as palmas. As gargantas começam a gritar.

O público do União mantém-se silencioso. Uma ou outra manifestação, aqui ou ali. Em Tomar, o União está a jogar «fora de casa».

Logo no primeiro minuto, Alberto atira a bola para dentro da baliza do Benfica. O árbitro apitara antes. O público quase não protesta.

É muito diferente, quatro minutos depois, quando Eusébio marca o primeiro golo a valer.

Começa o delírio. As bandeiras acenam. É a grande festa de um título chamado folclore começada a viver naquele domingo, muito cedo.

As pessoas junto à linha lateral são sustidas a custo pela polícia. Por causa das «omissões».

Aos doze minutos o árbitro assinala «canto» contra o União de Tomar. Eusébio quer marcar. Não consegue tomar balanço. Tem que pedir licença ao público para o deixarem correr para a bola. A polícia empurra mais um bocadinho. Então a «pantera» consegue, finalmente, marcar o castigo.

O árbitro assinala um «livre» contra Tomar. Ouvem-se mais alguns protestos. Um dos espectadores, à nossa frente, que via com dificuldade o rectângulo pergunta: - Mas quem é este árbitro?

Entra em campo uma banda. Com gaita-de-foles e tudo. Explicam-nos:
- Vieram para cá de manhã. Acordaram toda a gente com «aquela» música. E continuam.

O público bate palmas por tudo. Aplaudiu também quando viu a banda passar.

Junto ao marcador, um adepto, calças castanhas, camisola esverdeada, levantou-se finalmente. Limpou as calças. Ele tinha assistido ao desafio de joelhos. Mas não foi promessa. Tinha chegado já tarde e só nessa posição é que o deixou ficar o espectador diante do qual ele se veio postar.

Grande euforia à volta do rectângulo. Alguém comenta:
- Só não há mais barulho porque as pessoas não se podem mexer.

Começa a segunda parte. Surge o quarto golo. Desta vez, os aplausos já são poucos. As gentes do Benfica estão decididamente a guardar-se para o grande assalto do fim do jogo.

Tomar ataca. Um remate sai ao lado da baliza de José Henrique. Um espectador adianta-se e entrega a bola ao «seu» guarda-redes. Vem o polícia. Repreende-o com gestos espalhafatosos. Empurra-o para trás. O espectador atrevido cai para cima de outros espectadores que nada tinham feito, senão ver o jogo.

Toca a sirene. Diz um engraçado: - O chefe dos bombeiros é do Benfica.
Mas era mesmo fogo. A sirene continua a tocar. Os bombeiros deviam estar todos a ver o jogo. Correm para fora do campo. Pedem passagem. Têm dificuldade em abrir caminho.

O engraçado continua:
- O Porto já está a arder.
A sirene continua a tocar.

Faltam três minutos para acabar. Já há espectadores dentro do campo.

A polícia intervém. Como sempre. Empurra, como sempre. O «liner», diz um «amigo da onça»:
- É o Salvador Garcia.
- Ainda bem. Então temos o jogo repetido pela certa e, no «bis» venho para cá de véspera e arranjo um bom lugar.

Como se sabe, há mau ambiente em Tomar para com o árbitro lisboeta que esteve na base da repetição de um jogo com o Beira-Mar.

O União de Tomar joga de branco. Um espectador com pronúncia nortenha, grita:
- Vamos embora, Ajax!

Aos vinte e quatro minutos, o segundo golo. Nova «explosão». A nossa frente, um adepto esfrega as mãos.

- «Está no papo». Vamos embora, Benfica!

Aos trinta e sete minutos, mais um golo.

- É o fim! Somos campeões!

Dois suplentes do Benfica entram em campo. Abraçam os seus colegas. Volta a falar-se de «omissões».

No meio da confusão, o público «conquista» mais alguns centímetros e aproxima-se mais da linha. A polícia está distraída. Não há empurrões.
Há três a zero mas, lá em cima, no «placard» continua zero a zero.

Comentário de um bem-humorado:
- Não deixaram o homem do marcador chegar lá a cima.

O árbitro apita para o intervalo. Rebentam finalmente, os primeiros foguetes. Com o título na mão, a multidão descontrai-se. Aproxima-se mais ainda da linha lateral.

Comentários
- Agora até é preciso pedir licença para se marcar um «fora».

A polícia tem que fazer algo para deixar os jogadores sair do campo. Já havia adeptos a pedir camisolas. Diz um jogador: - E depois, como é que a gente joga?

Sinos, chocalhos, rocas. Tudo a tocar tudo a fazer barulho. Espera-se o último apito. Então é a grande corrida para dentro do campo. A polícia nada pode fazer. Os jogadores atiram as camisolas para o ar e fogem em direcção das cabinas.

Alguém pede a camisola a um jogador do Tomar.
- Mas nós não somos campeões...
- Mas é uma recordação deste jogo.

As camisolas dos jogadores do Benfica já estavam «esgotadas». E bem guardadas pelos felizes possuidores. Por causa das confusões.

José Augusto é passeado em ombros. Tronco nu acena. A sua volta, bandeiras e mais bandeiras. Gritos «Benfica», «Benfica», o jogador do Benfica andou em triunfo até que a polícia o foi «libertar».

Raul Águas gostou de ser passeado. Pareceu ficar triste quando a polícia o foi buscar. Era uma «estreia» para o jovem jogador.

Além das camisolas, havia botas nas mãos dos adeptos mais felizes. O Carnaval no estádio ia acabar. Mas ia continuar noutros locais.

Foi o cortejo pela estrada fora. As bandeiras nas antenas dos carros, a esvoaçar. Nas adegas os copos a encher-se, os túneis a esvaziar-se.
Festa é Festa! Viva a Festa! Viva o Campeonato!"

JORGE SCHNITZER

Publicado por Leonel Vicente às 01:33 PM | Comentários (0)

"O TEMPLÁRIO" (16.06.05) / "CIDADE DE TOMAR" (17.06.05)

O Templário-16-06-05 CidadeTomar-17-06-05

Publicado por Leonel Vicente às 10:15 AM | Comentários (0)

junho 18, 2005

CAMP. NACIONAL HÓQUEI II DIVISÃO - 2ª FASE - 18ª JORNADA

Seixas - I. Sagres – 9-8
J. Pacense - Póvoa – 4-3
Ac. Porto - Sp. Tomar – 3-1
ACR Santa Cita - Mealhada – 2-4
Cucujães - AD Barcelos – 4-4

Classificação Final   Jg   V   E   D     G     Pt 
1 Ac. Porto 18 14 - 4 84-56 42
2 C. D. Póvoa 18 10 1 7 78-62 31
3 H. C. Mealhada 18 10 1 7 75-64 31
4 Sp. Tomar 18 9 3 6 93-78 30
5 Inf. Sagres 18 9 1 8 83-82 28
6 Cucujães 18 7 5 6 70-77 26
7 A. D. Barcelos 18 7 4 7 102-91 25
8 Seixas H. C. 18 6 4 8 71-79 22
9 J. Pacense 18 4 3 11 70-90 15
10 ACR Santa Cita 18 3 - 15 60-107 9

Despromovidos à III Divisão - Seixas H. C., J. Pacense e ACR Santa Cita

Publicado por Leonel Vicente às 10:41 PM | Comentários (0)

junho 17, 2005

"CONFISSÕES DAS MULHERES DE 30"

Amanhã, Sábado, pelas 21h30, no Cine Teatro Paraíso, o espectáculo "Confissões das Mulheres de Trinta", uma peça original do brasileiro Domingos Oliveira, com Fernanda Serrano, Maria Henrique e Margarida Marinho:

"Preocupações, amores, trabalhos, terrores e glórias das mulheres de 30. Confissões baseadas em histórias reais na faixa dos 30, num clima de humor onde alguns dos temas abordados são: casamento, primeiro namorado após a separação, filhos, ex-maridos, tipos de homem no amor, grandes sonhos, sexo, mercado de trabalho, a preocupação com a maturidade".

Publicado por Leonel Vicente às 08:50 AM | Comentários (1)

junho 15, 2005

CD-ROM "NO RASTO DOS TESOUROS TEMPLÁRIOS"

O IPPAR, a Região de Turismo dos Templários e a MediaPrimer apresentam, no próximo Sábado, dia 18 de Junho, pelas 16 horas, no Baixo Coro do Convento de Cristo, o CD-ROM "No Rasto dos Tesouros Templários".

Publicado por Leonel Vicente às 08:56 AM | Comentários (0)

junho 14, 2005

OLALHAS

"Cantinho de cores, perdido junto ao rio Zêzere onde praias de areia branca se misturam com uma vegetação exuberante, intensa e natural, Olalhas é uma terra mística com uma aura mágica, onde os sentidos são permanentemente postos à prova. Possuidora de uma cultura e história vincadas, uma das maiores riquezas da freguesia reside em heranças de reinos desaparecidos, testemunhos dos povos passados, tradições e lendas.

Em 1159, Olalhas foi doada por D. Afonso Henriques aos Templários, D. Manuel concedeu-lhe foral em 1514. A freguesia conserva um património cultural dessas épocas. A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, foi possivelmente fundada pelos Templários, enriquecida ao longo das décadas em termos artísticos. Assim, na fachada de tipo quinhentista admira-se uma rosácea sobrepujando o portal.

[...]"

Conceição Canha, "Cidade de Tomar", 10 de Junho de 2005

Publicado por Leonel Vicente às 08:57 AM | Comentários (0)

junho 13, 2005

"ASSIMETRIAS"

Também a pretexto do União de Tomar, aqui recupero um texto (também já "histórico"...) que publiquei no Diário de Notícias / "DN Jovem":

"É geralmente reconhecido que a histórica dicotomia litoral-interior é uma realidade profundamente implantada na estrutura socioeconómica. Basta, para o confirmar, consultar qualquer estatística, por mais elementar que seja.

Todos sabemos, por exemplo, que houve uma deslocação da população do interior, por um lado, para o estrangeiro, através do fenómeno da emigração, e por outro, para o litoral, em particular para as áreas urbanas de Lisboa e Porto, cidades que centralizam a autoridade política e o poder económico.

Essa assimetria manifesta-se em muitos e variados campos; um deles, enquadrável no tema proposto, é o do futebol, enquanto desporto de multidões, acarretando grandes movimentações a nível financeiro.

Desta forma, temos, na época de 1988-89, na disputa do Campeonato Nacional da I Divisão de futebol, 16 clubes sediados no litoral (80 %), face a dois do interior (G. D. Chaves e CAF- Ac. Viseu), o que corresponde a 10 %, além dos insulares Marítimo e Nacional, ambos da Madeira.

Se alargarmos o campo de estudo até ao Campeonato Nacional da III Divisão, os números não oscilam muito: o litoral é sede de 134 dos 182 clubes concorrentes às três divisões (73,6 %), cabendo ao interior 41 clubes, apenas 22,5 %, sendo os restantes sete repartidos pelas Regiões Autónomas dos Açores (três representantes militando na III Divisão) e da Madeira.

É sintomático o facto de os distritos de Beja e da Guarda, além de Viana do Castelo, este do litoral, não terem qualquer representante na I e II Divisões, o que é mais estranho ainda no caso de Santarém, que chegou a ter, há pouco mais de dez anos, representação na I Divisão, por via do U. Tomar.

Outro aspecto se destaca nesta análise: a macrocefalia do futebol português, centralizado por completo, no que se refere a campeões da I Divisão, em apenas duas cidades, 44 títulos (81,5 %) para três clubes de Lisboa e dez (18,5 %) para um do Porto.

Todos estes números devem suscitar uma reflexão e o desejo de que os desequilíbrios de ordem económica e social sejam atenuados, de forma a permitir também uma expressão desportiva mais uniforme e condizente com padrões europeus, ao nível das Comunidades em que nos pretendemos integrar de forma plena."

Texto pulicado no "DN Jovem" em 22.11.88

Publicado por Leonel Vicente às 09:20 AM | Comentários (0)

junho 12, 2005

"O TEMPLÁRIO" (09.06.05) / "CIDADE DE TOMAR" (10.06.05)

O Templário-09-06-05 CidadeTomar-10-06-05

Publicado por Leonel Vicente às 06:45 PM | Comentários (0)

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (II)

Crónica publicada em "A BOLA", em 17 de Fevereiro de 1969

"UNIÃO DE TOMAR, 0 - V. SETÚBAL, 0
A SUPERAÇÃO DOS LOCAIS

Estádio Municipal

Árbitro: António Florindo e Nemésio Castro, equipa da C. D. Lisboa.

U. TOMAR — Arsénio (3); Kiki (2), Caló (3), Faustino (3) e Barnabé (3); Ferreira Pinto «cap.» (3), Cláudio (1) e Totói (2); Lecas (1), Leitão (2) e Alberto (2).

Duas substituições, no segundo tempo: logo de entrada, Cláudio por Santos (2) e, aos 24 minutos, Lecas por Vicente (2).

V. SETÚBAL — Vital (3); Conceição «cap.» (3), Cardoso (2), Herculano (2) e Carriço (3); Vítor Baptista (2), Wagner (3) e Jacinto João (1); Guerreiro (1), Figueiredo (1) e Arcanjo (2).

Uma substituição, logo no início do segundo tempo: Figueiredo por Tomé (1).

Resultado: 0-0.

Jogo sem golos sugere espectáculo de relativo interesse mas não foi esse o caso verificado ontem, no atraente Estádio Municipal de Tomar onde nos disseram que não tarda a bem necessária cobertura dos camarotes pelo menos, pois o encontro além da emoção que o seu desfecho reflecte, conheceu períodos de futebol de apreciável craveira técnica e foi caracterizado, sobretudo, por uma correcção que muito nos apraz assinalar contribuindo tudo isso para esta primeira e bem curiosa presença dos tomarenses entre os «maiores».

Boa parte do muito público presente foi constituída por setubalenses, que a bela carreira do Vitória e o bonito começo do dia levaram à formosa cidade do Nabão em muitos automóveis e em perto de setenta autocarros (porque não havia mais disponíveis segundo nos informaram) e, se toda essa gente sadina regressou a Setúbal entristecida pelo resultado, ao invés dos tomarenses, que chegaram ao fim do jogo dando mostras de evidente satisfação, há que dizer que tal disparidade de sentimentos só pode atribuir-se à capacidade normal ao prestígio e aos anseios das duas equipas em cotejo, já que nem os sadinos podem lamentar-se de não terem alcançado o triunfo, nem os tomarenses tiveram na igualdade um prémio que não mereciam.

Com efeito, se é certo que nunca esteve em dúvida como não poderia estar a superioridade individual da turma vitoriana, não é menos exacto que muito bem souberam os tomarenses compensar e, por vezes, até, superar essa sua mais do que legítima desvantagem, mercê de uma determinação e de um sentido de colectivismo que superando a normal capacidade própria, frequentemente perturbou os categorizados adversários ou, pelo menos, os impediu de evidenciarem uma supremacia que, em jogo e em resultado, talvez, fosse de esperar.

Portanto, não se pense que, no empate de Tomar, houve menor inspiração do fortíssimo conjunto setubalense e nada mais. Ideia certa e justa será, sim, a de que o Vitória só não jogou mais e só não venceu porque a tanto se opôs, cremos que sensacionalmente, um União que realizou, apenas, a melhor de quantas exibições já lhe vimos fazer na temporada, e que foram, anteriormente, contra o mesmo Vitória, no Bonfim: contra a Cuf em Tomar, contra o Atlético, na Tapadinha, e contra o Belenenses, em Tomar.

E mais: não obstante o domínio territorial exercido pelos sadinos em quase todo o segundo tempo do encontro de ontem, os tomarenses estiveram longe de jogar «a defesa» antes formaram uma equipa que actuou de acordo com as circunstâncias de cada momento, isto é, defendendo e atacando conforme as possibilidades que, o antagonista e o próprio jogo lhe ofereceram. Sem dúvida de espécie alguma.

Menos credenciado, jogando em «casa» (e, para mais, em terreno pelado, que não pode deixar de oferecer maiores problemas para todos os actuais visitantes, por menos habituados) e sabendo que é no futebol raso e «trabalhado» que o Vitória tem o tipo de jogo com que se tem imposto e que melhor serve as características da quase totalidade dos seus magníficos jogadores, esperar-se-ia que os tomarenses se lançassem num futebol de pontapés largos e fortes, fazendo subir a bola e provocando, assim, um despique marcado por choques e cargas, com hipóteses de emperrarem o funcionamento normal da «máquina» setubalense.

Quem assim pensava (e nós confessamos, honestamente, que nos encontrávamos nesse número, com base no que havíamos visto aos nabantinos nos referidos jogos com a Cuf e com o Belenenses) cedo se certificou de que se enganara redondamente, pois o que se viu, logo desde o começo do encontro, foi os tomarenses enveredarem por processo de jogo semelhante ao dos sadinos, ou seja, fazerem baixar a bola e tentarem a progressão no terreno em passes tanto quanto possível curtos e frequentes.

Com isso, ganhou o espectáculo, evidentemente, e se bem que, aqui e acolá, fosse manifesta e natural a vantagem sadina, devido à reconhecida maior valia técnica das suas unidades, a verdade é que houve ataques alternados, com o perigo e registar-se numa e noutra balizas.

Ao longo de todo o primeiro tempo, pode o Vitória recordar e lamentar dois ou três lances em que faltou uma aragem de felicidade a remates de cabeça desferidos de muito perto, pelos seus dianteiros, especialmente, aquele em que Arcanjo, após bom trabalho de Figueiredo, executou um centro alto e largo e, sem ninguém a estorvar-lhe os movimentos, Guerreiro cabeceou ao lado do poste esquerdo.

Mas, em contrapartida, pertenceu a Vital a mais difícil das intervenções dos guarda-redes, em todo o desafio, quando teve de se lançar aos pés de Alberto, logo aos 3 minutos, e uma outra grande oportunidade de golo esteve ao alcance do mesmo Alberto, aos 25 minutos, quando se isolou, a passe de cabeça de Leitão, e visou o canto raso mais distante (o esquerdo), ficando Vital batido, mas saindo a bola a rasar a base de poste.

O Vitória, nos períodos de tempo em que dominou, fê-lo com mais insistência e maior autoridade, realmente, mas não conseguiu, ao contrário do que lhe é habitual, firmar vincada supremacia a meio do terreno, porque se Wagner esteve «em grande» e Vítor Baptista o acompanhou bem, já Jacinto João se mostrou infeliz (e, por isso, demasiado insistente) nos lances individuais de Totoi puderam ir compensando e disfarçando o menor rendimento de Cláudio, a acusar certa debilitação resultante da gripe que o reteve no leito até sexta-feira e, a partir de determinada altura, também afectado pelo que nos pareceu ser uma rotura muscular, na coxa esquerda.

Por tudo isso e, ainda, porque toda a sua defensiva se revelou muito decidida e coesa, os tomarenses não só nunca se inferiorizaram, verdadeiramente, como até conseguiram ser algo superiores ao rondar da meia hora, chegando, pois, ao intervalo com muito mérito e justiça na igualdade e deixando a pairar a dúvida, apenas, sobre o ponto a que chegaria a sua resistência física, no segundo tempo.

...Segundo tempo que, já se disse, foi caracterizado por um muito maior domínio territorial dos sadinos, que apenas permitiram espaçados movimentos atacantes dos tomarenses e tiveram o seu ascendente reflectido num elevado número de «cantos» por vezes, cedidos em momentos de grande apuro, pela defensiva de Tomar.

Mas, com Santos no lugar de Cláudio e, mais tarde, Vicente no de Lecas, puderam os nabantinos ir «segurando» o ascendente do Vitória, continuando a neutralizar, em boa dose, a sua acção a meio do campo e, sobretudo, «espartilhando-lhe» o ataque, onde Tomé (que rendera Figueiredo) e Guerreiro se mantiveram até por isso, em dia de menor inspiração do que se foi ressentindo, naturalmente, aos poucos Arcanjo (que tivera uma excelente primeira parte) e onde o perigo só se viu, de vez em quando, nos lances criados por Jacinto João, a entrar bem mais pela esquerda do que na metade inicial do jogo.

Mas, mesmo nesses lances, faltou sempre «qualquer coisa» ao «JJ» dos grandes dias e o União de Tomar, mantendo-se muito firme na defesa, nunca enjeitou os ensejos que se lhe depararam para contra-atacar não conseguindo, é certo, mais do que uma ocasião de «golo à vista»», em bola cruzada da esquerda e aliviada já perto da linha fatal, com Vital ultrapassado, mas também não permitindo que os dianteiros sadinos criassem uma única oportunidade flagrantemente desperdiçada.

No último quarto de hora, choveu com bastante intensidade, o que tornou o piso do terreno um tanto difícil. Ficou por se saber, no entanto, qual das equipas foi mais prejudicada pelo facto ainda que a lógica leve a pensar que foi a dos setubalenses, porque era aquela que, então, mais buscava a vitória que, na verdade, correspondia à imerecida derrota do União.

Há que repetir a afirmação já feita: foi esta a melhor das exibições que vimos fazer aos tomarenses.

Muita serenidade, muito discernimento, nada da fogosidade e do «descontrole» de outros dias. Calma semelhante, só a que lhe registámos e elogiámos, com inteira justificação, no jogo que lhe deu vitória na Tapadinha.

Desta vez, colectivismo foi a nota mais saliente da equipa, onde apenas Lecas e Cláudio (pelas razões expostas) estiveram um tanto abaixo dos companheiros.

Sem um único deslize, Arsénio igualou Caló, Faustino e Barnabé, numa defensiva que teve o mérito, nada acessível, de «segurar» um ataque da categoria do de Setúbal e onde Kiki só baixou um pouco, no segundo tempo, quando Jacinto João se adiantou mais.

Ferreira Pinto foi outro esteio da equipa, com especial relevo no primeiro tempo, mas o esforço de Totoi e de Alberto e a boa execução de Leitão (se bem que um pouco distante da «zona da verdade») também merecem referência tal como foi vantajosa a entrada de Vicente e Santos.

Desilusão, talvez, para boa parte do, público de Tomar, o Vitória não foi, para nós, mais do que vítima da inspiração do antagonista, um «pequeno pormenor» que muita gente nem sempre considera.

Foi um daqueles jogos em que tudo pode depender, apenas, de um golo que se marca. E, se os sadinos o conseguem, é bem possível que até acabassem em vencedores folgados.

Mas... e se o golo aparece ao contrário, como muito bem podia ter acontecido, na primeira parte?...

De uma coisa há que não acusar a turma sadina: falta de combatividade. De modo algum. Lutou muito e sempre bem. Pode ter acontecido apenas, que essa necessidade de lutar, aliada às nada favoráveis características do terreno, a impediram de jogar tanto quanto sabe.

Embora com pouco trabalho, Vital esteve firme e arejado, naquele lance aos Pés de Alberto, assim como Conceição e Carriço foram «laterais» mais seguros do que os «centrais», Cardoso e Herculano este, com a enorme atenuante de ter sido fustigado, recentemente, por rude golpe familiar, pelo qual jogou de braçadeira preta.

A meio do campo, tornou-se clara a ausência de José Maria, sendo Wagner o «maior», em nova manifestação de muita classe, enquanto Vítor Baptista apenas teve lampejos do seu grande valor, tal como «J. J.».

Na frente, Arcanjo realizou uma bola primeira parte mas acabou por ser «arrastado» pela menor inspiração dos seus companheiros de sector, Guerreiro, Figueiredo e, depois, Tomé.

Mesmo as grandes equipas, como é o caso do Vitória, estão sujeitas a estes percalços se é que pode chamar-se percalço a um empate. Em jogo sem problemas de maior, duas só palavras para a arbitragem do «trio» chefiado por Ilídio Cacho: muito bem."

CRUZ DOS SANTOS

Publicado por Leonel Vicente às 10:30 AM | Comentários (0)

junho 11, 2005

CAMP. NACIONAL HÓQUEI II DIVISÃO - 2ª FASE - 17ª JORNADA

CD Póvoa - Seixas HC - 5-2
Sp. Tomar - Juv. Pacense - 6-2
HC Mealhada - Ac. Porto - 5-3
AD Barcelos - ACR Santa Cita - 8-2
Inf. Sagres - Cucujães - 4-3

1º Ac. Porto, 39; 2º Póvoa, 31; 3º Sp. Tomar, 30; 4º Mealhada e I. Sagres, 28; 6º Cucujães, 25; 7º AD Barcelos, 24; 8º Seixas, 19; 9º J. Pacense, 12; 10º ACR Santa Cita, 9

Publicado por Leonel Vicente às 08:47 PM | Comentários (0)

junho 10, 2005

U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (I)

União de TomarO União de Tomar é um clube histórico que, ao longo dos seus 90 anos de existência, proporcionou aos tomarenses momentos de grande entusiasmo e esfusiante alegria, com as suas glórias no futebol: Campeão Nacional da II Divisão, Campeão Nacional da III Divisão; mais recentemente, Campeão Distrital.

Atravessa actualmente a fase mais difícil da sua já longa vida e necessita, de uma forma absolutamente decisiva - talvez como nunca até hoje - do apoio de todos nós.

Para que, definitivamente, não deixemos hipotecar este símbolo da cidade - porque, infelizmente, os momentos de glória fazem parte de um passado "longínquo", que muitos não tiveram nunca a oportunidade de acompanhar - aqui apresentarei nos próximos Domingos (a partir do próximo, e até final do mês de Julho), crónicas de jogos, publicadas no jornal "A Bola", nos anos de 1969 a 1971 (ou seja, há cerca de 35 anos!), incluindo passagens do União de Tomar pela I Divisão, onde marcou presença em 6 épocas, entre os anos de 1968 e 1976.

Publicado por Leonel Vicente às 10:02 AM | Comentários (1)

junho 09, 2005

INÊS PEDROSA

Há cerca de um ano (já!?...), aqui escrevi uma breve nota sobre a escritora Inês Pedrosa.

Transcrevo hoje o inspirado comentário de um visitante deste "blogue":

"INÊS PEDROSA

Fazem-me falta os teus escritos assim que os leio. Essa força das palavras é prodigiosa, consegues despoletar em mim novas sensações, cumplicidades de inquietação e o desejo perdido de me encontrar cada vez mais, no teu encontro literário e na desarrumação das gavetas cheias de palavras. Inês Pedrosa! A realidade é a força, derruba as convenções e invade os espaços individuais. Desta vez invadiste o meu... reconheço-te como uma grande escritora, porque as palavras ardem num diálogo póstumo, sem fronteiras.

A fronteira do pensamento é a morte, tu és imortal! Derrubas todos os muros, os muros da existência e numa folha escreves o meu desassossego, talvez o teu e tantos outros desta existência.

Neste local transitório, Inês, levo-te o conceito e a linguagem, ainda que nesta apatia me redima aos espelhos da resistência, num gesto apaziguador. Este é o meu nome, o consumo da realidade, em posteriores desejos, ainda que em dúvida permanente... assim, nesta simples homenagem de condição de génio que és, curvo-me para que todas as letras possam passar! Desculpa dizer-te isto, mas é urgente. Não me perguntes o porquê, apenas o estranho assiste a este desfile de partilhar contigo o que sinto, as minhas palavras.

No fogo da leitura, leio os teus escritos, estes e aqueles e digo: Falta me fazes! Que bom ler e reflectir sobre aquilo que escreves. Não entenderás, mas também não é para entender... gosto da tua escrita e nisto de dizer, diz-se... tu também dizes e continuarás a dizer nisso que escreves, nos teus romances, nesses e noutros escritos... as tuas crónicas. Parabéns! O teu rosto evoca outro sentido, entre tantos sentidos... Não é preciso agradecer, mas gosto das tuas conversas, do teu espírito filosófico que mais ninguém tem, entenda-se que és única, nisso que te faz ser o que aquilo que és.
Entre dedos surgem outros dedos, a cumplicidade literária, o imperdoável onde se naufraga numa intimidade furtada, num incêndio sem lugar, mas de todos os lugares.

Não posso mentir-te, desculpa dizer-te, ainda que não gostes, és uma grande escritora, do tamanho que tens, esse mesmo, tu és o padrão daquilo que és, cheia de atmosferas de todos os tempos… nesta infinidade de emoções que consegues fazer emergir e que guardas em ti, enquanto atenta observadora da sociedade. Inês, são os teus esporos...! Guardo o teu livro, na alma e advoga o Sol em minha protecção, com a promessa e o reflexo da duração que o teu nome concebeu, desde aquele dia."

Jorge Ferro Rosa

Publicado por Leonel Vicente às 10:15 AM | Comentários (0)

junho 08, 2005

MERCADO DO LIVRO EM TOMAR

A partir de hoje, e até ao próximo dia 13 de Junho, numa organização da Livraria “Companhia dos Livros” decorre nos Lagares D’El Rei (Rua da Levada), em Tomar, a quinta edição do "Mercado do Livro", disponibilizando uma grande variedade de livros, ao preço de 1,50 euros.

De Sábado (11) para Domingo (12 de Junho), o "Mercado do Livro" estará disponível 24 horas consecutivas. Nos restantes dias, o horário será das 10 às 24 horas.

Oportunidade ainda para encontrar livros sobre a cidade e a história de Tomar em promoção, a preços especialmente convidativos.

Publicado por Leonel Vicente às 08:57 AM | Comentários (0)

junho 07, 2005

U. TOMAR - ELEIÇÕES A 16 DE JUNHO

A Assembleia Geral do U. Tomar aprovou no passado dia 30 de Maio, o Relatório e Contas com referência ao exercício de 2004, em que foi apurado um resultado negativo de 15 254 euros.

Foi também agendada para o próximo dia 16 de Junho a eleição da nova Direcção, apelando-se aos sócios do União para que dêem o seu apoio ao clube nesta fase complexa, em que, sem património, com uma dívida de 150 000 euros ao fisco e no ponto mais baixo de toda a sua existência desportiva a nível do futebol senior, tal será um "dever de consciência", no sentido de preservar esta colectividade com uma longa história de mais de 90 anos.

Se me é permitido o apelo: não podemos abandonar o União!

Publicado por Leonel Vicente às 08:53 AM | Comentários (0)

junho 06, 2005

“BLOGUES” TOMARENSES EM “O TEMPLÁRIO”

O jornal “O Templário” aborda de novo, na sua edição desta semana (2 de Junho), a temática dos “blogues” tomarenses.

Numa reportagem de Elsa Ribeiro Gonçalves (também presente na blogosfera, com o Jornalista Freelancer), a jornalista reuniu em Tomar alguns “bloggers” tomarenses (reunião à qual não tive oportunidade de comparecer): João Gonçalves (A Coluna Vertebral e Thomar) e Hugo Cristóvão (Algures Aqui), tendo ainda recolhido declarações de Pedro Reis Santos (A Janela do Mundo).

A principal conclusão genérica é a de que falta uma página oficial que represente Tomar no espaço virtual (não existe um site da Câmara Municipal de Tomar), cuja divulgação se encontra actualmente a cargo de alguns “bloggers” e de um site desenvolvido por um tomarense a título individual.

Este trabalho jornalístico é ainda complementado com uma breve definição do que é um "blogue" e a referência a alguns "blogues" tomarenses:

http://thomar.blogspot.com – Thomar
http://ataverna-sh.blogspot.com – Taverna de Santa Cita
http://alguresaqui.blogspot.com – Canto virtual de Hugo Cristóvão
http://colunavertebral.blogspot.com – Blog de João Gonçalves
http://tomar.weblog.com.pt – Tomar Weblog
http://preissantos.blogspot.com – Blog A Janela do Mundo
http://alinhavos.blogspot.com – Blog de Sónia Pereira

Por fim, a minha saudação por mais este contributo para a divulgação da blogosfera tomarense, e o meu agradecimento particular pelo destaque dado em termos de ilustração da reportagem, com fotos do Tomar, para além d’A Coluna Vertebral e do Algures Aqui.

Publicado por Leonel Vicente às 08:50 AM | Comentários (0)

junho 05, 2005

FINAL DA TAÇA RIBATEJO

O Amiense, vice-campeão Distrital, venceu na passada Quinta-feira a Taça Ribatejo, ao bater por 4-3 o Coruchense, na sequência da marcação de pontapés da marca de grande penalidade, após o 0-0 registado no termo do tempo regulamentar e do prolongamento.

Publicado por Leonel Vicente às 02:29 PM | Comentários (0)

"O TEMPLÁRIO" (02.06.05) / "CIDADE DE TOMAR" (03.06.05)

O Templário-02-06-05 CidadeTomar-03-06-05

Publicado por Leonel Vicente às 10:40 AM | Comentários (0)

junho 04, 2005

CAMP. NACIONAL HÓQUEI II DIVISÃO - 2ª FASE - 16ª JORNADA

Seixas - Sp. Tomar - 5-3
Mealhada - Juv. Pacense - 2-6
Ac. Porto - AD Barcelos - 7-5
ACR Santa Cita - Cucujães - 2-5
Póvoa - Inf. Sagres - 5-0

1º Ac. Porto, 39; 2º Póvoa, 28; 3º Sp. Tomar, 27; 4º Mealhada, I. Sagres e Cucujães, 25; 7º AD Barcelos, 21; 8º Seixas, 19; 9º J. Pacense, 12; 10º ACR Santa Cita, 9

Publicado por Leonel Vicente às 11:30 PM | Comentários (0)

junho 03, 2005

CDU APRESENTA CANDIDATOS

A CDU procedeu ontem à apresentação pública dos seus candidatos às eleições autárquicas em Tomar, destacando-se a candidatura da jovem Sílvia Serraventoso (27 anos) à Câmara Municipal de Tomar; para a Assembleia Municipal, o primeiro candidato é Bruno Graça, presidente da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais.

Publicado por Leonel Vicente às 08:58 AM | Comentários (0)

junho 02, 2005

(IN)DIFERENÇAS

Decorre amanhã no Convento de Cristo (entre as 10 horas e as 18h30), o II Ciclo de Conferências Património em Risco - (In)Diferenças, promovido pela Ordem dos Arquitectos - Núcleo do Médio Tejo, em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar e Convento de Cristo, e com o apoio do IPPAR.

Publicado por Leonel Vicente às 08:55 AM | Comentários (0)

junho 01, 2005

PEDRO SILVA LANÇA NOVO LIVRO

O escritor tomarense Pedro Silva procede no próximo Sábado (4 de Junho), pelas 16h30, na Biblioteca Municipal de Tomar, ao lançamento do seu mais recente livro, intitulado "Tripla Imparável I: Juventude em Acção".

Trata-se do primeiro título de uma nova colecção juvenil (na senda de colecções como "Uma Aventura" e afins). O livro, com pouco mais de cem páginas, tem como público-alvo os mais jovens, sendo acessível a todas as camadas etárias.

A acção desenrola-se numa pequena cidade do interior do país, com três personagens principais: Neusa, Paulo e Geraldo, cada um com as suas diferenças (ela, filha de angolanos, Paulo português e Geraldo, luso- brasileiro), que irão viver as peripécias normais de um conjunto de jovens de 15-16 anos.

A primeira trama centra-se em torno de um estádio de futebol e problemas com a claque local. Porém, a surpresa maior será revelada apenas no final, com a inversão completa daquilo que à partida seria expectável.

Pedro Silva publicou já as seguintes obras:

- “Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã” (Ulmeiro, Portugal, 2000)
- “História e Mistérios dos Templários” 2ª Edição (Ediouro, Brasil, 2001)
- “Escritos Errantes (histórias leves como o vento mas tocantes como a tempestade)” (Senso, Portugal, 2002)
- “Ku Klux Klan: Pesadelo Branco” (Magno, Portugal, 2003)

Publicado por Leonel Vicente às 08:51 AM | Comentários (0)