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julho 24, 2005
U. TOMAR - "CRÓNICAS DA HISTÓRIA" (VIII)
Crónica publicada em "A BOLA", em 11 de Janeiro de 1971
"TORRES NOVAS, 0 - UNIÃO DE TOMAR, 1
F0I MUITO DURO PERDER NO FINAL DO PROLONGAMENTO...
Estádio Municipal de Torres Novas Árbitro: Mário Vidreiro, de Lisboa.
TORRES NOVAS - Casimiro; Tuna, Simões, «Zeca» e Bruno; Sá Pinto, Pestana e Maia; Real, Cesarino (Madeira) e Serranito (Pedro).
UNIÃO DE TOMAR - Nascimento; Fernandes, João Carlos, Cardoso e Barnabé; Cravo (Luís Carlos), Manuel José e Raul; Pavão, Tito e Fernando (Alberto).
Ao intervalo: 0-0.
O único golo da partida foi obtido por Alberto, no minuto 119.º, com violento pontapé desferido da linha média local, e que entrou junto ao canto superior esquerdo das balizas de Casimiro que, todavia, ainda tocou no esférico.
Digam o que disserem, o clima da Taça, estilo à portuguesa, está muitas léguas afastado da temperatura escaldante dos campeonatos.
Mesmo quando os contendores, como agora, são vizinhos e rivais de truz. E essa ideia prevaleceu nitidamente, havendo a sensação que as turmas fizeram um compasso para respirar e dar balanço à vida, o exame de que, afinal, ambas bem necessitadas estarão, sobretudo o Torres Novas, positivamente sem atinar com o ritmo que anule a intranquilidade e a perturbação de que dão mostras.
Daí, nada espantar o clima de sossego em que a partida decorreu, até entre o público que era muito, tendo ambas as turmas, logo de início, com o seu estilo repousado e cauteloso, dado a entender que a audácia passaria a segundo plano nas intenções gerais.
Houve da parte dos torrejanos, uma nítida melhoria em relação aos últimos jogos disputados e o «onze», bastante alterado na sua formação, apresentou-se clarividente, com o apoio dos centro-campistas ao sector atrasado e, das lúcidas trocas de bola, resultava o impedimento dos visitantes se assenhorearem do comando.
Todavia, esta certeza inicial foi efémera, já que os avançados torrejanos, como sucederia em toda a partida, lutavam desapoiados e em nítida desvantagem física, ante a dura e experiente defesa de Tomar.
Assim, ao segundo quarto de hora, os unionistas apareceram com superior insistência, criaram até duas oportunidades bastante perigosas para os locais, mas os torrejanos, depois a mandar até ao intervalo, tanto porque os laterais da «casa» se integravam nas manobras ofensivas, como também porque Sá Pinto, esclarecido, criava interessantes jogadas ofensivas. Um golo quase feito foi salvo «in extremis» por Fernandes sobre o risco. Alguns cantos foram cedidos pelo União, mas o estilo por demais denunciado e lento dos torrejanos, pouco trabalho deu a Nascimento.
Ao contrário do que era visível no campo oposto, pois as infiltrações de Pinto vieram, inclusive, a proporcionar a Fernando ocasião soberana, mas desaproveitada.
O recomeço, após modificação no xadrez das duas equipas, mostrou que de facto o Torres Novas estava desta vez a jogar bastante diferente, para melhor. Simplesmente, a falta de objectividade e expediente na frente, com o consequente «deficit» de remate, era pecha demasiada para criar ilusões. A meio deste período, o Tomar deu a nítida sensação de não se importar com o futebol mastigado dos locais, pensando, e bem, que não perder já seria vantagem, a obrigar à reprise.
Mas como possui elementos de boa craveira, essa valia começou finalmente a revelar-se e safada que foi uma dificuldade pelo poste, esquerdo das balizas de Nascimento, a pronta e perigosa resposta dos tomarenses deu o lamiré ao predomínio deste até final.
Não em situações de golo, práticamente uma só de Alberto ao poste e outra de Tito, anulada por «off-side» nítido, mas sim porque o futebol dos visitantes era mais positivo e intencional e daí mais adequado, em contraste com o afunilamento e a lentidão, vistosa mas improfícua, da equipa de Torres Novas.
O final chegou com o marcador em branco, pelo que se jogou um prolongamento de trinta minutos.
Supunha-se que a menor preparação atlética do Torres Novas fosse «handicap» decisivo a favor do União. Mas a entrada de Pedro proporcionou ao ataque da «casa) outra elasticidade, bem visível com o assédio às balizas de Nascimento. A característica dominante dos dois períodos de quinze minutos foi de parada de resposta, agora com bastante empenho de todos, emoção no exterior, e subida de temperatura em alguns jogadores. Mas o Sr. Vidreiro soube ser firme, sem deixar de ser diplomático.
A emoção chegou a rondar as duas balizas. Tito apareceu endiabrado, Manuel José corria o campo e a réplica dos visitados, se bem que denodada e entusiástica, já não tinha a força anterior, com um meio-campo algo esgotado, mas chegou, mesmo assim, para obrigar o Tomar ao expediente das bolas fora.
Então, o inesperado aconteceu. A escassos minutos do final do prolongamento. E com toda a gente a sonhar já com o desafio do desempate. Alberto, sozinho, pouco além do círculo do meio-campo viu a bola aparecer-lhe aos pés e, num rasgo feliz, arrancou um pontapé que saiu violento e inesperado. Casimiro socou ainda o esférico, mas este colou-se às malhas, rente ao canto superior esquerdo.
Não se pode negar ao Tomar mérito no triunfo, tão pouco esquecer a superior maturidade do conjunto, com Fernandes e João Carlos a mandar na defesa, Manuel José no centro e Pavão e Tito a subirem quanto mais se caminhava para o final, criando e concluindo jogadas de muito mérito.
Todavia, perder nas condições verificadas também não pode deixar de se considerar inglório para uma equipa que muito se reabilitou, mostrando-se mais confiante, batalhadora e, sem dúvida, por tudo quanto fez, a justificar o segundo jogo. Mas isto é futebol.
Bruno, Maia, Casimiro, Tuna e Sá Pinto salientaram-se, sem que os restantes desmerecessem.
Poucas reclamações do público contra o árbitro. E quando assim sucede, é bom sinal e confere nota positiva ao trabalho do Sr. Vidreiro."
MÁRIO NUNO
Publicado por Leonel Vicente às julho 24, 2005 09:49 AM
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