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março 10, 2004

VIAGENS NA MINHA TERRA – ALMEIDA GARRET – A LENDA DE SANTA IRIA (III)

“Costumava a devota donzela ir todas as noites a uma oculta lapa que jazia no fim da cerca e junto ao rio Nabão, para ali estar mais só com Deus, e desabafar com Ele à sua vontade.

Soube-o Britaldo, espreitou a ocasião e ali a fez apunhalar por um seu criado, cujo nome a legenda nos conservou para maior testemunho de verdade… chamava-se Banam.

Banam! é um verdadeiro nome de melodrama.

Morta a inocente, Banam despiu-lhe o habito e lançou o corpo ao rio, que depressa o levou às arrebatadas correntes do Zêzere em que desagua; e logo este ao Tejo - que defronte da antiga Escalabiscastro lhe deu sepultura em suas louras areias, para maior glória da santa e perpétua honra da nobilíssima vila que hoje tem o seu nome.

Mas enquanto ia navegando o corpo da santa, teve Célio, o abade do convento, uma revelação que lhe descobriu a verdade e os milagres do caso; e comunicando-a logo aos monges e ao povo de Nabância, saiu com todos de cruz alçada, e foi por esses campos da Golegã fora, até chegar à Ribeira de Santarém.

Aí, benzendo as águas do rio, estas se retiraram corteses e deixaram ver o sepulcro que era de fino alabastro, obrado à maravilha pelas mãos dos anjos.”

Publicado por Leonel Vicente às março 10, 2004 08:02 AM

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