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abril 17, 2004
INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (XXVI)
Igreja e Hospital de Nossa Senhora da Graça / Igreja da Misericórdia
"Planta longitudinal, composta pelo corpo da igreja, salas da Irmandade e hospital, segundo um eixo E. / O., e a N. da igreja a sacristia e anexos de serviços. Volumes articulados com cobertura diferenciada em telhados de 2 águas.
Fachada principal virada a S., formada por 4 corpos, de remate rectilíneo, com cimalha moldurada e beirado, percorridos por rodapé e com os cantos marcados por cunhais, de diferentes dimensões e alturas: a E., o volume mais baixo da capela-mor a que se adossa um oratório de vão rectangular com portadas, um dos Passos da Paixão outrora existentes na vila; a nave com portal vão rectangular com frontão triangular, enquadrado arco de volta perfeita assente em colunas de plintos elevados e capitéis toscanos, tendo sobre o entablamento pequeno nicho, com a imagem de Nossa Senhora da Graça, entre pilastras dóricas e frontão em arco segmentar, ladeado por volutas; o corpo das antigas salas da Irmandade, de 2 pisos divididos por friso, 4 janelas de verga recta com pilastras divisórias da ordem dórica, no piso térreo, 3 janelas de verga em arco segmentar, avental e frontão no piso superior; o corpo do Hospital, recuado em relação ao corpo anterior, de 2 pisos com moldura divisória e 3 panos delimitados por pilastras, vazado por portal de vão rectangular moldurado, frontão triangular interrompido para receber a cruz, com pináculos laterais; lápide com inscrição alusiva à fundação, rodeada por volutas relevadas; acima do portal as armas em cantaria da Misericórdia de Tomar e sobre elas as cruzes das Ordens dos Templários e de Cristo; à direita e à esquerda do portal distribuem-se os vãos de forma simétrica: janelas molduradas rectangulares no térreo, janelões também rectangulares, com avental e frontão arquitravado no piso superior. Fachadas E. e O. da nave da igreja, elevando-se acima dos restantes corpos, de empena triangular vazada por óculos.
INTERIOR: nave única com cobertura em falsa abóbada de caixotões de madeira com sanca moldurada, alçados laterais decorados por uma malha de 3 ordens de pilastras sobrepostas (dóricas, toscanas e jónicas) enquadrando no piso inferior 6 falsos arcos redondos por banda, nos pisos superiores almofadas e frestas; ao alçado O., igualmente marcado por pilastras e almofadas, sobrepõe-se um coro alto apoiado em colunas de cantaria, com guarda de balaústres de madeira; adossado ao alçado lateral do lado do Evangelho um púlpito em cantaria, com guardas de balaústres e uma base em forma de urna; um silhar de azulejos axadrezados em azul e branco percorre toda a nave; arco triunfal rodeado por decoração de concheados em estuque, que se prolonga lateralmente rodeando as pinturas dos retábulos dos altares colaterais; altares laterais enquadrados por arcos, o do Evangelho com a imagem do Senhor dos Passos, o da Epístola com a figuração do Calvário. Portas de comunicação com as salas da Irmandade rasgam os 2 pisos do alçado O..
Capela-mor com tecto em falsa abóbada com estuques relevados, enquadrando cartelas com o escudo da Misericórdia e emblemas marianos; retábulo do altar-mor em talha polícroma e dourada, com tela na tribuna. Pinturas do altar-mor: "Visitação" em tela; altar colateral do lado do Evangelho: São Domingos, em tela; altar colateral do lado da Epístola: "Milagre eucarístico de Santo António", em tábua (2). Várias lápides sepulcrais, algumas brasonadas, no pavimento da nave.
Cronologia 1510 - instituição da Misericórdia de Tomar e anexação das 3 confrarias já existentes - a de Nossa Senhora dos Anjos, a de Santa Cruz e a Gafaria - além do Hospital de Nossa Senhora da Graça; 1567 - início das obras da igreja, por ordem do Dr. Cristóvão Teixeira, provedor da Misericórdia (segundo lápide existente no alçado N. da igreja); Séc. 16 - a serventia actualmente existente a N. correspondia à R. Nova Pequena, mais tarde R. do Coronheiro; pinturas das capelas colaterais por Domingos Vieira Serrão; 1594 / 1595 - execução azulejos das capelas colaterais;1672, 7 de Julho - início das obras do Hospital, suportadas pela herança de Manuel Nunes da Costa, fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo (segundo lápide sobre o portal da Santa Casa da Misericórdia); séc. 18, 2ª metade - campanha decorativa de estuques; realização do retábulo do altar-mor; 1712 - o Padre Carvalho da Costa refere que a Misericórdia é "bastantemente rica, pois chegão suas rendas a hum conto, aonde sam os pobres doentes excellentemente curados e providos"."
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
Publicado por Leonel Vicente às abril 17, 2004 12:55 PM