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maio 14, 2004
UMBERTO ECO – O PÊNDULO DE FOUCAULT (XX)
“Penetrando por acaso numa sala ainda não restaurada, ocupada com poucos móveis poeirentos, encontrei o chão repleto de caixotes de cartão.
Revistei-os ao acaso, e vieram parar-me às mãos restos de volumes em hebraico, presumivelmente do século XVII.
O que faziam os judeus em Tomar? O guia disse-me que os Cavaleiros mantinham boas relações com a comunidade judaica local.
Fez-me assomar à janela e mostrou-me um jardim à francesa, estruturado como um pequeno e elegante labirinto. Obra, disse-me ele, de um arquitecto judeu setecentista, Samuel Schwartz.
O segundo encontro em Jerusalém… E o primeiro no Castelo. … Se tivessem de marcar um primeiro lugar de reunião, o que poderiam escolher os Templários de Provins, mais habituados a dirigir capitanias que a ler romances de Távola Redonda?
Claro que era Tomar, o castelo dos Cavaleiros de Cristo, um lugar em que os sobreviventes da Ordem gozavam de plena liberdade, de garantias intocadas, e em que estavam em contacto com os agentes do segundo grupo!
Parti de Tomar e de Portugal com a mente em chamas.”
Publicado por Leonel Vicente às maio 14, 2004 08:16 AM