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julho 16, 2004
INÊS PEDROSA
Jornalista e escritora, nascida em Coimbra, mas tomarense (segundo a própria, não nasceu em Tomar apenas porque não existia na cidade, em 1962, uma maternidade… 40 anos depois, a situação mantém-se!...).
Em entrevista ao “Jornal de Letras”, faz uma breve resenha da sua vida.
A partir de 1980, frequentou a licenciatura de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa.
No início de 1983, seria admitida em “O Jornal”, onde realça o acompanhamento do “mestre” Fernando Dacosta. No ano seguinte, seria convidada por Mega Ferreira para redactora do “Jornal de Letras”, então dirigido por José Carlos de Vasconcelos.
Passaria depois por “O Independente” e pelo “Expresso”, sendo também Directora da revista “Marie Claire” (entre 1993 e 1996), colaborando também na revista “Ler”; teria ainda algumas experiências na Rádio e na Televisão.
Paralelamente, iniciou uma carreira como escritora, tendo publicado os seguintes livros: “Mais Ninguém Tem” (1991), a que se seguiram os primeiros romances: “A Instrução dos Amantes” (1992), em que aborda a fase da adolescência, e “Nas Tuas Mãos” (1997). Publicou ainda “Fotobiografia de José Cardoso Pires”, “20 Mulheres para o Século XX” (2000) e “Poemas de Amor” (antologia de poesia portuguesa - 2001) e, mais recentemente (2002), “Fazes-me Falta”.
Publicado por Leonel Vicente às julho 16, 2004 08:06 AM
Comentários
Li os escritos e conheci Inês Pedrosa e depois escrevi assim:
INÊS PEDROSA
Fazem-me falta os teus escritos assim que os leio. Essa força das palavras é prodigiosa, consegues despoletar em mim novas sensações, cumplicidades de inquietação e o desejo perdido de me encontrar cada vez mais, no teu encontro literário e na desarrumação das gavetas cheias de palavras. Inês Pedrosa! A realidade é a força, derruba as convenções e invade os espaços individuais. Desta vez invadiste o meu... reconheço-te como uma grande escritora, porque as palavras ardem num diálogo póstumo, sem fronteiras.
A fronteira do pensamento é a morte, tu és imortal! Derrubas todos os muros, os muros da existência e numa folha escreves o meu desassossego, talvez o teu e tantos outros desta existência.
Neste local transitório, Inês, levo-te o conceito e a linguagem, ainda que nesta apatia me redima aos espelhos da resistência, num gesto apaziguador. Este é o meu nome, o consumo da realidade, em posteriores desejos, ainda que em dúvida permanente... assim, nesta simples homenagem de condição de génio que és, curvo-me para que todas as letras possam passar! Desculpa dizer-te isto, mas é urgente. Não me perguntes o porquê, apenas o estranho assiste a este desfile de partilhar contigo o que sinto, as minhas palavras.
No fogo da leitura, leio os teus escritos, estes e aqueles e digo: Falta me fazes! Que bom ler e reflectir sobre aquilo que escreves. Não entenderás, mas também não é para entender... gosto da tua escrita e nisto de dizer, diz-se... tu também dizes e continuarás a dizer nisso que escreves, nos teus romances, nesses e noutros escritos... as tuas crónicas. Parabéns! O teu rosto evoca outro sentido, entre tantos sentidos... Não é preciso agradecer, mas gosto das tuas conversas, do teu espírito filosófico que mais ninguém tem, entenda-se que és única, nisso que te faz ser o que aquilo que és.
Entre dedos surgem outros dedos, a cumplicidade literária, o imperdoável onde se naufraga numa intimidade furtada, num incêndio sem lugar, mas de todos os lugares.
Não posso mentir-te, desculpa dizer-te, ainda que não gostes, és uma grande escritora, do tamanho que tens, esse mesmo, tu és o padrão daquilo que és, cheia de atmosferas de todos os tempos… nesta infinidade de emoções que consegues fazer emergir e que guardas em ti, enquanto atenta observadora da sociedade. Inês, são os teus esporos...! Guardo o teu livro, na alma e advoga o Sol em minha protecção, com a promessa e o reflexo da duração que o teu nome concebeu, desde aquele dia.
Jorge Ferro Rosa - 11.12.2004 - 18:30h
Vila Franca de Xira – Escrito no café “Bolinho Caseiro”
Publicado por: Jorge Ferro Rosa em dezembro 12, 2004 03:25 AM